REUTERS/Gleb Garanich
REUTERS/Gleb Garanich

Confrontos se intensificam no leste ucraniano antes de negociações de paz

Kiev acusa rebeldes de terem bombardeado uma cidade bem atrás das linhas de combate;

O Estado de S. Paulo

10 de fevereiro de 2015 | 11h50

Os combates no leste ucraniano se intensificaram nesta terça-feira, 10, pouco antes de aguardadas negociações de paz. Os dois lados afirmaram ter feito avanços significativos e o governo acusou os rebeldes de terem bombardeado uma cidade bem atrás das linhas de combate.

Os intensos confrontos na região, que segundo a Organização das Nações Unidas (ONU) mataram mais de 5.300 pessoas desde abril, ocorrem antes de uma importante cúpula envolvendo líderes ocidentais na quarta-feira, assim como das negociações de paz, que ocorrem ainda nesta terça-feira.

O presidente ucraniano, Petro Poroshenko, disse ao Parlamento que rebeldes apoiados pela Rússia lançaram um ataque de artilharia contra a cidade de Kramatorsk, que fica a mais de 50 quilômetros da linha de frente de combate. Poroshenko afirmou que a primeira rodada de foguetes atingiu a sede do comando ucraniano e que a segunda atingiu uma área residencial.

O governo regional de Donetsk informou que três pessoas foram mortas e 15 ficaram feridas durante a ofensiva de artilharia. Kramatorsk foi um importante centro de combate até julho, quando separatistas pró-Rússia recuaram da cidade.

O site local Donetskiye Novosti postou fotografias do local atingido, mostrando um projétil de artilharia no chão, perto de um prédio residencial, e dois corpos nas proximidades.

O batalhão voluntário Azov, ligado a Kiev, disse numa rede social nesta terça-feira que o Exército havia capturado várias vilas a nordeste do estratégico porto de Mariupol, empurrando os rebeldes para perto da fronteira com a Rússia. Mas o porta-voz rebelde Eduard Basurin declarou, em coletiva de imprensa transmitida pela televisão, que os rebeldes não haviam recuado.

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O grupo Azov disse que os rebeldes atacaram a vila de Kominternove, a leste de Mariupol, deixando um número não especificado de vítimas civis. Um repórter da Associated Press que estava num posto de verificação entre a vila e Mariupol, que é controlado pelo governo, foi informado sobre a existência de combates a alguns quilômetros. Duas ambulâncias e quatro picapes levando tropas ucranianas foram vistas chegando de Kominternove e seguindo na direção de Mariupol.

Os rebeldes relataram avanços também. Basurin disse nesta segunda-feira que eles cercaram a cidade ferroviária de Debaltseve, centro de violentos combates nas últimas semanas, cortando seu acesso a uma importante rodovia. Um vídeo postado num site simpatizante aos rebeldes mostra os separatistas se movimentando ao longo da estrada, enquanto os corpos ensanguentados de soldados ucranianos eram vistos na lateral da via.

Pelo menos sete soldados ucranianos foram mortos durante a noite no leste, informou o porta-voz militar ucraniano Anatoliy Matyukhin nesta terça-feira. No reduto rebelde de Donetsk, constantemente alvo de ataques, dois civis foram mortos e 12 ficaram feridos.

Os combates acontecem em meio a renovados esforços para encontrar uma solução pacífica para o conflito que já desalojou pelo menos 1 milhão de pessoas e deixou a economia ucraniana em ruínas.

Representantes da Ucrânia, Rússia, rebeldes e da Organização para Segurança e Cooperação na Europa reúnem-se para um aguardado encontro ainda nesta terça-feira para discutir as bases para a reunião de quarta-feira entre os líderes da Rússia, Ucrânia, Alemanha e França.

Nesta terça-feira, o Kremlin advertiu o Ocidente sobre os riscos de enviar armas para a Ucrânia e de pressionar a Rússia.

O porta-voz do presidente russo Vladimir Putin, Dmitry Peskov, disse à rádio Russian News Service nesta terça-feira que qualquer negociação sobre a imposição de novas sanções a Moscou ou sobre armar o governo ucraniano desestabilizará a situação na Ucrânia.

As negociações, que devem acontecer nesta terça-feira em Minsk, capital da Bielorrúsia, estão marcadas para 18 horas (horário local, 14 horas em Brasília), informou o Ministério das Relações Exteriores bielorruso. / AP

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