Confusão marca fim de Operação Anaconda

Com a batalha nas montanhas do leste do Afeganistão se transformando numa guerra de guerrilha, a Operação Anaconda - como ficou conhecida a ofensiva da coalizão liderada pelos EUA contra o reagrupamento de combatentes da Al-Qaeda e do Taleban - chegava à fase final como havia começado quase duas semanas atrás: em meio a muita confusão e informações desencontradas. Aviões americanos ainda realizavam nesta sexta-feira alguns bombardeios contra bolsões de resistência dos rebeldes, enquanto tropas de terra vasculhavam caverna por caverna das montanhas ao redor do Vale de Shah-i-Kot em busca de cadáveres de combatentes inimigos mortos e possíveis provas contra dirigentes da organização terrorista liderada por Osama bin Laden. Segundo um soldado das forças especiais americanas que, por razões de segurança, se identificou apenas como Chris, pequenos grupos de combatentes da Al-Qaeda ainda resistem à ofensiva movendo-se rapidamente pelas montanhas. "Usando táticas clássicas de guerra de guerrilhas, eles agem em comandos pequenos e independentes. Conhecem bem o terreno e sabem como tirar vantagem disso", afirmou. O número de corpos recolhidos até agora - cerca de 25 - está muito longe de poder comprovar as declarações do Departamento de Defesa americano, segundo as quais mais de 300 combatentes da Al-Qaeda e do Taleban foram mortos na ofensiva. A operação no leste do Afeganistão foi a maior e mais violenta ação militar terrestre com o envolvimento direto de soldados americanos nos mais de cinco meses da campanha no Afeganistão. Oito deles morreram nos primeiros dias do ataque. Durante uma visita ao Forte Bragg, na Carolina do Norte, o presidente americano, George W. Bush, encontrou-se com parentes de dois dos militares mortos em Gardez - o oficial do Exército Stanley Harriman e o sargento da Força Aérea John Chapman. No discurso que fez em seguida, Bush criticou a prática do Congresso de esperar até os últimos dias do ano fiscal - que se encerra em 30 de setembro - para aprovar a proposta do orçamento que neste ano prevê um aumento de US$ 48 bilhões nos gastos de defesa. "Nada é mais importante do que a segurança nacional de nosso país. Então, nada é mais importante do que nosso orçamento de defesa", disse Bush. "Esta é uma prática danosa de tratar o orçamento em tempos de paz. E é particularmente uma prática danosa de tratar o orçamento em tempos de guerra. Espero não só que o Congresso dos EUA aprove o orçamento que propus, espero que ele faça isso com a prioridade que impõem nossos planos para essa guerra."

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.