Keystone, Jean-Christophe Bott/AP
Keystone, Jean-Christophe Bott/AP

Congelamento de 10 anos pode ser aceito, diz chanceler do Irã à 'CNN'

Obama havia dito que Teerã precisa se comprometer com congelamento em pontos do programa nuclear para haver acordo

O Estado de S. Paulo

06 Março 2015 | 11h20

TEERÃ - O ministro das Relações Exteriores do Irã, Mohammad Javad Zarif, sugeriu na quinta-feira que um congelamento de 10 anos sobre alguns aspectos do programa nuclear do país pode ser aceitável para Teerã, embora tenha se recusado a discutir a questão em detalhes. Zarif foi questionado sobre o assunto pela apresentadora da CNN Christiane Amanpour.

Na segunda-feira, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, havia dito à Reuters que o Irã precisa se comprometer com um congelamento verificável de pelo menos 10 anos de sua atividade nuclear sensível para um acordo ser alcançado entre Teerã e seis potências mundiais.

A chefe de política externa da União Europeia, Federica Mogherini, disse nesta sexta-feira, 6, que um bom acordo com o Irã é possível. Mogherini afirmou, em conferência sobre política externa na capital da Letônia, que está comprometida em conseguir um resultado positivo para as negociações nucleares.

"Acredito que um bom acordo está na mão. Eu também acredito que não haverá nenhum acordo se não for um bom acordo. E isso é algo que precisamos passar como mensagem para todos os nossos amigos e parceiros", disse ela, se referindo ao discurso do primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, ao Comgresso dos EUA.

Mogherini disse que o último passo nas conversações sobre o programa nuclear iraniano envolverá vontade política mais do que negociações técnicas.

Sanções. O Irã disse que o preço do barril de petróleo não deve subir acima de US$ 60 até 2016 e o país poderia aumentar a exportação da commodity se forem removidas as sanções ocidentais impostas devido ao programa nuclear, informou a agência de notícias semi-oficial Mehr nesta sexta.

"Quando as sanções forem retiradas, é nosso dever natural e legal aumentar as vendas de petróleo para aumentar nossa fatia de mercado", disse Mohsen Ghamsari, chefe de assuntos internacionais da Companhia Iraniana de Petróleo, segundo a Mehr.

As sanções dos EUA e UE entraram em vigor em 2012 para proibir a importação, compra e transporte de produtos iranianos derivados do petróleo.

"Sanções não foram impostas na venda do petróleo iraniano, mas na compra do petróleo do Irã, e nós estamos vendendo petróleo para um número limitado de países", disse Ghamsari. Cinco países ainda compram petróleo iraniano: China, Índia, Japão, Coreia do Sul e Turquia, mas estão comprando cerca de 1 a 1,2 milhão de barris por dia, metade do que o país enviava antes das sanções, quando mais de uma dúzia de países eram compradores. /REUTERS

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