Congestionamento na China deve seguir por semanas

Um engarrafamento em uma estrada do norte da China alcançou hoje a marca de dez dias e, de acordo com autoridades locais, é possível que persista ainda por mais algumas semanas. Zhang Minghai, diretor da companhia de engenharia de tráfego da cidade de Zhangjiakou, afirmou hoje que o enorme e duradouro congestionamento é causado por interdições realizadas para o andamento de obras na estrada.

AE-AP, Agência Estado

24 de agosto de 2010 | 18h23

O engarrafamento estende-se por cerca de cem quilômetros e os carros ali presos avançam, em média, apenas um quilômetro por dia. E isso porque, na avaliação de Zhang, a situação melhorou um pouco durante o fim de semana. Alguns motoristas estão presos no engarrafamento há cinco dias, informa a Televisão Central da China.

O congestionamento começou em 14 de agosto em um trecho da rodovia Pequim/Zhangjiakou, onde os motoristas normalmente enfrentam lentidão, disse Zhang. De acordo com ele, a situação piorou nos últimos anos, depois da descoberta de novas minas de carvão na província chinesa de Mongólia Interior. O volume de veículos tem aumentado a um ritmo de 40% ao ano.

Os motoristas parados no congestionamento seguiam para Pequim. Parte deles está presa em Mongólia Interior e outra parte, na província de Hebei. Sem ter o que fazer a não ser esperar, eles passam o dia dormindo ou em busca de algum tipo de distração, como dar uma volta por perto de seus carros e jogar baralho ou xadrez.

Os moradores dos bairros às margens da rodovia aproveitam para ganhar algum dinheiro. Eles circulam entre os veículos vendendo água, macarrão instantâneo, salgadinhos e lanches em geral. Apesar de ainda não ter ocorrido nenhum episódio de violência relacionado ao estresse da situação, os motoristas têm reclamado do alto preço cobrado pelos ambulantes.

De acordo com a mídia chinesa, uma garrafa de água, normalmente vendida no país pelo equivalente a R$ 0,25 está custando agora quase R$ 20. Já o preço do macarrão instantâneo, cujo preço na região não chega ao equivalente a R$ 1, mais do que triplicou. "Estou gastando até 50 yuans (cerca de R$ 13) por dia só para comer. É mais caro do que ir a um restaurante", queixou-se um motorista identificado apenas como Lu, seu sobrenome, a um repórter da Rádio Nacional da China.

Obra

O que provoca o congestionamento é uma obra viária realizada em um trecho da rodovia nas proximidades de Pequim, o que dificulta a entrada de veículos na capital chinesa. A obra não será concluída antes de 17 de setembro, informa Zhang, o diretor da companhia de engenharia de tráfego de Zhangjiakou.

De acordo com ele, os engenheiros de trânsito trabalham com o objetivo de permitir a entrada de mais caminhões em Pequim para aliviar o engarrafamento. As companhias de transporte estão sendo orientadas a suspender entregas e os motoristas, aconselhados a buscarem rotas alternativas.

A estrutura viária chinesa enfrenta cada vez mais problemas à medida que aumenta o número de veículos em circulação no país. O tráfego intenso de caminhões agrava ainda mais a situação. Congestionamentos e acidentes rodoviários são comuns na China, mas um engarrafamento de dez dias de duração é um acontecimento provavelmente inédito.

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