Congo anuncia prisão de líder rebelde dos tutsis

Laurent Nkunda comandava milícia acusada de várias atrocidades contra civis; ele foi detido na Ruanda

Agências internacionais,

23 de janeiro de 2009 | 06h19

 Militares da República Democrática do Congo anunciaram nesta sexta-feira, 23, a prisão do líder do principal grupo rebelde que atua no leste do país, o general Laurent Nkunda. Ele foi detido na noite de quinta-feira por soldados em Ruanda, para onde fugiu na tentativa de resistir a uma operação conjunta de forças ruandesas e congolesas, iniciada três dias antes. Nkunda liderava a milícia de etnia tutsi Congresso Nacional para a Defesa do Povo (CNDP), ao qual organizações de defesa dos direitos humanos atribuem várias atrocidades contra civis, inclusive assassinatos, estupros e tortura. No ano passado, confrontos entre o grupo e o Exército congolês levaram mais de 250 mil pessoas a deixarem suas casas no leste do país. O porta-voz do governo, Lambert Mende, disse à BBC que está satisfeito com a prisão, pois "Nkunda causou muitos danos ao Congo". Ruanda enviou milhares de soldados ao Congo na terça-feira, como parte de um acordo com o país vizinho para eliminar as bases do movimento rebelde ruandês hutu, ao longo da fronteira, e acabar com uma revolta dos tutsis contra Kinshasa. Tropas dos dois países avançaram nesta quinta-feira para as bases de Nkunda em Bunagana, no leste do país. Nkunda e seu grupo alegavam que lutavam para proteger a comunidade tutsi de ataques de rebeldes ruandeses das Forças Democráticas para Libertação de Ruanda (FDLR), de etnia hutu, que estão baseados no Congo e são acusados de terem participado do genocídio de Ruanda em 1994. O governo do Congo vem prometendo impedir os rebeldes hutus de atuarem no território do país, mas não conseguiu fazê-lo. As forças do governo também são acusadas de atrocidades por grupos de defesa dos direitos humanos. Ex-pastor e ex-professor  O general Laurent Nkunda é cheio de contradições. Foi ordenado pastor pela Igreja Adventista e leva à corte marcial os soldados que participam de estupros. Ainda assim, o chefe de seu Estado-Maior é um criminoso de guerra procurado. Tudo o que Nkunda diz que quer fazer é conversar. Mas se o governo da República Democrática do Congo (RDC) se recusar, ele ameaça ampliar a guerra e derrubar o presidente Joseph Kabila. Ele dará as boas-vindas a forças africanas de manutenção da paz caso estas venham como grupo neutro numa missão humanitária, mas se combaterem com o Exército congolês (FARDC), ele promete enfrentá-los. Pouca coisa no passado de Nkunda sugere que aprecie de fato provocar sofrimento. Ex-professor escolar na cidade de Kichanga - onde hoje está localizado seu quartel-general - e um devoto pastor da Igreja Adventista do Sétimo Dia, ele é admirado entre seu grupo étnico, os tutsis. Em 2002, quando Nkunda era um dos principais comandantes do Congresso pela Democracia no Congo - uma milícia agora extinta que era apoiada por Ruanda -, ele supervisionou a brutal resposta a um motim entre seus soldados na cidade de Kisangani, localizada no centro do país.  (Com O Estado de S. Paulo)

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