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Congo e Ruanda aceitam participar de cúpula de paz

Encontro promovido pela ONU resolveria conflito no leste do antigo Zaire entre rebeldes tutsis e governo

EFE

01 de novembro de 2008 | 14h59

Os presidentes da República Democrática do Congo (RDC), Joseph Kabila, e de Ruanda, Paul Kagame, estão dispostos a participar de uma cúpula internacional de paz promovida pela ONU para resolver o conflito no leste do antigo Zaire entre os rebeldes tutsis e o governo.   Assim afirmou neste sábado, 1º, o comissário de Desenvolvimento da União Européia (UE), Louis Michel, ao chegar a Bruxelas após uma visita à região africana.   Veja também: Deslocados voltam após suspensão de ataques Histórico dos conflitos armados no Congo   "Sugeri que o secretário-geral da ONU (Ban Ki-moon) convoque todos os líderes da região e todas as organizações regionais", explicou Michel aos jornalistas, e "os dois (Kabila e Kagame) me responderam que sim, sem a menor dúvida", destacou.   "Se Ban Ki-moon os convidar, eles irão", afirmou o comissário, segundo a imprensa belga.   O ministro de Assuntos Exteriores francês, Bernard Kouchner, cujo país preside a UE neste semestre, e o alto representante de Política Externa e Segurança Comum da UE, Javier Solana, também concordam com a realização de uma cúpula de paz, de acordo com Michel.   O comissário disse que a reunião deve acontecer em Nairóbi, com a presença dos líderes de RDC, Ruanda - que supostamente estaria apoiando os rebeldes tutsis no país vizinho -, Uganda e Burundi, assim como representantes da UE e dos Estados Unidos.   Também devem participar todas as organizações regionais, como a União Africana (UA), a Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC, em inglês), o Mercado Comum da África Oriental e Austral (Comesa, em inglês) e a Comunidade da África Oriental (EAC, em inglês).   Michel já batizou o evento de Nairóbi-2, em alusão ao encontro na capital queniana no qual autoridades de 11 países da região africana dos Grandes Lagos assinaram um pacto de não agressão, no qual também se comprometeram a não apoiar grupos rebeldes.   Segundo Michel, Kabila está "totalmente aberto" às negociações, assim como o rebelde Congresso Nacional para a Defesa do Povo (CNDP), do general Laurent Nkunda, cujas tropas se encontram às portas da cidade de Goma, na província de Kivu Norte, no leste da RDC.   Por sua vez, o presidente de Ruanda está disposto a contribuir "com a influência que ele pode ter (sobre o general Nkunda)", acrescentou Michel. Segundo o comissário, entre os resultados da cúpula deve figurar o início de um sistema de vigilância internacional para garantir que os acordos sejam cumpridos.   Histórico      O início do atual conflito no Congo se remonta a 1998, quando os rebeldes banyamulenges - tutsis de origem ruandesa - levantaram-se contra o governo de Laurent Kabila, quem tinha chegado ao poder em meados de 1997, apoiado pelos próprios tutsis. Desde então, o conflito entre os rebeldes do CNPD e os soldados congoleses não cessou, embora a situação tivesse se acalmado depois que Nkunda e o atual presidente, Joseph Kabila, assinassem um acordo de paz, em 23 de janeiro.   Em 10 de outubro, porém, Kabila exortou publicamente os congoleses a se mobilizarem "para apoiar as tropas e o governo e preservar a unidade e a paz de nosso país", enquanto Nkunda chamou os cidadãos a se levantarem "contra um governo que traiu seu povo."   Mais de 5,4 milhões de pessoas morreram na RDC por causa do conflito, no qual os governos de Kinshasa, Campala e Kigali se acusam mutuamente de apoiar os grupos rebeldes que atuam em seus países. Em um relatório divulgado no início deste ano em Kinshasa, pouco após a assinatura do último tratado de paz, a organização humanitária International Rescue Committee assinalou que os conflitos e as crises humanitárias continuam causando uma média de 45 mil no país a cada mês.   "Em termos de número de mortos, o conflito congolês e suas conseqüências ultrapassam qualquer outro desde a Segunda Guerra Mundial", indicava o documento.   (Com Agências Internacionais)

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