Congressista afegã é agredida após denunciar mujahedin

A congressista afegã Malalai Joya sofreu agressões de colegas depois de afirmar em plenário, no domingo, que alguns líderes mujahedin (soldados da guerra santa) eram criminosos que não deveriam fazer parte da Casa.Malalai disse que outras parlamentares atiraram garrafas vazias de água contra ela, enquanto seus colegas masculinos a insultaram e fizeram ameaças de morte após seu pronunciamento. Congressistas moderados formaram um círculo para protegê-la."Eu disse que existem dois tipos de mujahedin no Afeganistão. Um luta pela independência, o que eu respeito, mas o outro destruiu o país e matou mais de 60 mil pessoas", explicou Malalai Joya à agência Associated Press. Shukari Barikzai, também congressista, disse que a fala da colega foi calma e racional, mas ainda assim ela foi alvo dos ataques. "Este tipo de situação cria preocupação quanto ao futuro do Parlamento. Eu me sinto muito mal pela forma como ela foi tratada", disse Barikzai. Malalai Joya, que no Parlamento representa a província afegã de Farah, no oeste do país, já havia se manifestado anteriormente contra senhores da guerra e traficantes de drogas. Um de seus primeiros discursos foi em 2002, durante o conselho de líderes que ajudou a estabilizar o governo interino após a invasão do país pelos Estados Unidos, em 2001.Em dezembro passado, ela pediu que envolvidos em crimes de guerra e violações dos direitos humanos fossem levados à justiça. Outros parlamentares começaram a bater nas mesas para que ela se calasse. Mas Malalai se recusou, gritando que fora eleita para dizer o que pensava.Nesta segunda-feira, a congressista insistiu que o Parlamento abriga ex-senhores da guerra e membros leais à milícia fundamentalista Taleban. Ela acrescentou que as ameaças não vão fazê-la parar de falar. "Eles podem tentar me matar, mas não vou parar de denunciar os criminosos de guerra e os traficantes", disse.O porta-voz do presidente Hamid Karzai, Karim Rahimi, tentou se esquivar da briga. "Os congressistas são representantes do povo afegão e estamos certos de que resolverão seus problemas", afirmou.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.