Congressistas acusam China e Rússia por fuga de ex-funcionário da CIA

Edward Snowden é acusado de deixar vazar dados sobre o programa de vigilância do governo

Denise Chrispim Marin, O Estado de S. Paulo

23 de junho de 2013 | 16h00

WASHINGTON - Congressistas americanos acusaram a China e a Rússia de cooperar com a fuga do americano Edward Snowden, analista de computação responsável pelo vazamento de informações secretas sobre o programa de vigilância da Agência Nacional de Segurança (NSA), dos Estados Unidos. Suspeitas igualmente foram levantadas por parlamentares sobre a escolha de Snowden pela ajuda de outros países "hostis" a Washington - Cuba, Equador e, possivelmente, Venezuela - para escapar e conseguir asilo.

"O que Snowden diz e quer e suas ações desafiam a lógica", afirmou o deputado republicano Mike Rogers, presidente do Comitê de Inteligência da Câmara, à rede de televisão NBC ao mencionar os planos de fuga de Snowden. "O governo tem de usar todas as avenidas legais para trazer Snowden à Justiça americana."

A deputada democrata Loretta Sanchéz, afirmou estar preocupada especialmente com "o que mais Snowden possa vir a revelar". A cubana-americana Ileana Ross-Lehtiner, deputada republicana, foi mais específica ao declarar seu temor de que novas informações secretas do NSA venham a cair nas mãos dos presidentes do Equador, Rafael Correa, da Venezuela, Nicolás Maduro, e de Cuba, Raúl Castro.

"Isso não vai cair bem para a segurança nacional dos EUA. Snowden vai dar informações a Correa, e Correa vai repassá-las a Maduro e a Castro", afirmou Ileana à CNN.

Mesmo políticos da oposição republicana se esquivaram de criticar a demora do governo de Barack Obama em tomar medidas para trazer Snowden de volta aos EUA. Desde 9, quando Snowden revelou sua identidade e sua presença em Hong Kong, analistas de inteligência nos EUA repetiam à imprensa que uma das primeiras iniciativas do governo seria cancelar seu passaporte. Ilegal no país que o acolhera, Snowden teria de ser deportado. Somente ontem o passaporte foi dele foi revogado pelo governo americano, que anunciou ter enviado ao governo de Hong Kong seu pedido extradição. Snowden havia sido indiciado pela Justiça americana apenas no dia 22.

A China teria tido um papel essencial na fuga de Snowden de Hong Kong, acusou a democrata Dianne Feinstein, presidente do Comitê de Inteligência do Senado. Ao permitir a fuga e esquivar-se de responder a um pedido de extradição, Pequim teria perdido a oportunidade de melhorar suas relações com Washington - o objetivo de recente encontro na Califórnia entre os presidentes Obama e Xi Jinping, da China.

"Não acredito que Hong Kong tenha agido sem o conhecimento da China", disse ela à rede de televisão CBS. "Percebo a mão de Pequim envolvida nesse caso", afirmou o senador democrata Charler Schumer, em entrevista à CNN, ao sugerir que as autoridades de Hong Kong teriam considerado o pedido americano de extradição de Snowden como incompleto e pedido mais informações para ganhar tempo e permitir a fuga de Snowden.

Schumer se disse mais enfurecido com a "ajuda e cumplicidade" do governo de Vladimir Putin nessa escapada. Com o cancelamento do passaporte de Snowden, a Rússia deveria deportá-lo. Mas pode vir a entregá-lo à embaixada do Equador, país ao qual o delator pediu asilo político, e conceder o salvo-conduto para ele chegar ao aeroporto e embarcar para Quito.

"Acho que vai ser muito interessante ver o que Moscou vai fazer com ele" disse a senadora Feinstein."Não o vejo como um denunciante. Quaisquer que sejam os seus motivos, eu o tomo por seu valor de face. Ele deveria ter ficado nos EUA e dançado conforme a música. Não acho que correr pra fora seja uma atitude nobre."

Vaia. Na véspera da escapada de Snowden, a senadora democrata e uma das principais aliadas de Obama, Nancy Pelosi, foi vaiada ao declarar publicamente que o denunciante havia quebrado as leis ao vazar documentos da NSA. Pelosy discursava em uma conferência em San José, na Califórnia. "Eu entendo, eu entendo. Mas ele violou a lei", reagiu ela.

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