Susan Walsh / AP
Susan Walsh / AP

Democratas e republicanos chegam a acordo provisório para evitar paralisação do governo americano

Pacto inclui cerca de US$ 1,3 bi para a construção de um muro na fronteira com o México; texto precisa ser aprovado pelo Congresso e por Trump para evitar um novo fechamento quando se esgotarem os fundos atuais, na sexta-feira

Redação, O Estado de S.Paulo

12 de fevereiro de 2019 | 04h54
Atualizado 12 de fevereiro de 2019 | 11h05

WASHINGTON - Negociadores do Congresso americano chegaram a um acordo provisório para evitar uma nova paralisação do governo no fim da semana, anunciaram os senadores nesta segunda-feira, 11, citados pela imprensa dos Estados Unidos. O pacto inclui cerca de US$ 1,3 bilhão para a construção de aproximadamente 88,5 km de muro na fronteira com o México, segundo o jornal The Washington Post, longe dos US$ 5,6 bilhões reivindicados pelo presidente Donald Trump por cerca de 322 km.

"Chegamos a um acordo em princípio entre nós em tudo o que se refere à segurança nacional e a outras seis leis", afirmou o senador republicano Richard Shelby, explicando que a proximidade de um novo fechamento administrativo colocou os parlamentares em alerta.

Os democratas e Trump estão há semanas em um impasse sobre o financiamento de um muro na fronteira dos EUA com o México - uma promessa de campanha do presidente.

Nesta segunda, os democratas retiraram a proposta de limitar o número de imigrantes presos no território americano para uma média diária de 16,5 mil. Os republicanos se opunham à demanda. O acordo também prevê fundos para a aquisição e distribuição de 40,5 mil leitos para os imigrantes detidos.

O pacto precisa agora ser aprovado pelo Congresso e pelo presidente para evitar um novo fechamento administrativo quando se esgotarem os fundos atuais, na sexta-feira, 15.

Trump 2020

Também nesta segunda-feira, Trump realizou um comício em El Paso, no Texas, no qual minimizou os potenciais avanços na negociação entre congressistas para evitar uma segunda paralisação parcial da máquina pública federal americana neste ano.

A uma plateia de milhares de apoiadores, Trump afirmou que foi avisado dos progressos no acordo orçamentário, mas preferiu deixar a discussão de lado momentaneamente para poder discursar ao povo do Texas. "Eu tive uma escolha. Poderia ter ficado lá fora e escutado, ou eu poderia vir até o povo de El Paso e Texas. Eu escolhi vocês."

Trump frisou ainda que a paralisação parcial do governo ocorrida entre o fim de 2018 e janeiro deste ano mostrou ao país, aos políticos e ao mundo "o que diabos está acontecendo com a fronteira".

No discurso, o presidente atacou os democratas, afirmando que eles lutam mais pelos imigrantes ilegais nos EUA do que pelo povo americano, e desdenhou da proposta abraçada por uma ala democrata para a contenção do aquecimento global.

Perto de onde Trump discursava, o democrata Beto O'Rourke falava a outras milhares de pessoas que chegou a hora de "mostrar ao país que não há nada a temer quando se trata da fronteira EUA-México". O'Rourke, que cogita ingressar na corrida presidencial de 2020, afirmou ainda que El Paso é "uma das cidades mais seguras dos EUA não por causa dos muros, mas apesar deles".

Em clima de campanha, Trump desqualificou o possível adversário afirmando que O’Rourke é um "jovem que tem muito pouco" e zombou do que considerou ser um menor número de pessoas que acompanhavam o ato do democrata: "isso pode ser o fim de suas aspirações presidenciais". / AP, AFP e EFE

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