Julio Cortez/AP
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Congressistas prometem investigar a polícia após invasão do Capitólio nos EUA

Ex-chefe de polícia, deputada afirmou que é 'dolorosamente óbvio' que os oficiais não estavam preparados

Redação, O Estado de S.Paulo

07 de janeiro de 2021 | 12h34

Parlamentares dos Estados Unidos prometeram investigar como as forças policiais lidaram com a invasão do Congresso por apoiadores do presidente Donald Trump na quarta, 6. Eles questionam se a entrada da multidão que vandalizou o Capitólio aconteceu por falta de preparo dos oficiais.

A polícia do Congresso americano recorreu a outras autoridades pedindo ajuda quando a multidão pressionou o local fazendo legisladores terem que se esconder. Tanto os oficiais quanto os apoiadores de Trump usaram produtos químicos durante a invasão de uma hora do complexo.

Quatro pessoas morreram. Entre elas, uma mulher que foi baleada dentro do Capitólio. Três outras pessoas morreram por complicações médicas relacionadas à confusão, de acordo com o departamento de política metropolitana da cidade.

A polícia informou que 52 pessoas foram presas na noite de quarta - 26 delas no Capítólio. Quatorze policiais ficaram feridos.

A deputada californiana Zoe Lofgren, do partido Democrata, que preside o Comitê de Administração da Câmara, disse que a invasão "levanta graves preocupações de segurança" e acrescentou que seu comitê trabalhará com líderes também do Senado para revisar a resposta da polícia ao ataque e sua preparação.

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Os parlamentares tiveram de se esconder debaixo de mesas e colocar máscaras de gás enquanto a polícia tentava fazer barricadas contra os invasores - sem sucesso. O prefeito de Washington instituiu um toque de recolher noturno para tentar conter a violência.

A deputada democrata Val Demings, da Florida, que é ex-chefe de polícia, disse que é "dolorosamente óbvio" que os oficiais do Capitólio não estavam preparados. "Eu pensei que teríamos uma demonstração de força, que medidas seriam tomadas no início para se certificar que os manifestantes estavam a uma distância segura do Congresso."  

Em entrevista a uma rede de TV, Demings agirmou que a polícia parecia estar desfalcada de oficiais. "Não parecia que eles tinham um plano operacional claro" de como lidar com milhares de manifestantes que foram ao Congresso após o presidente Trump reclamar de fraudes nas eleições.

A invasão aconteceu após um discurso em que o presidente americano prometeu nunca admitir sua derrota, em desafio ao rito parlamentar que confirmaria a vitória democrata. O grupo interrompeu a certificação dos votos. A polícia precisou retirar o vice-presidente Mike Pence, que presidia a sessão, e os demais legisladores do prédio em um cenário de violência que abalou um pilar da democracia americana e deixou ao menos quatro mortos.

Apesar de chocante, o protesto anti-democrático é um desdobramento natural após anos de uma retórica de ódio e de violência impulsionada por desinformação e teorias de conspiração, de acordo com especialistas em extrema-direita ouvidos pela AP. / COM INFORMAÇÕES DA AP

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