Drew Angerer/Getty Images/AFP
Drew Angerer/Getty Images/AFP

Congresso americano aprova histórico pacote de estímulo de US$ 1,9 trilhão

Plano permite uma injeção de dinheiro do governo federal em vários setores da economia; maioria dos americanos receberá cheques de US$ 1,4 mil (R$ 8 mil)

Redação, O Estado de S.Paulo

10 de março de 2021 | 16h14
Atualizado 10 de março de 2021 | 22h28

WASHINGTON - A Câmara dos Deputados dos Estados Unidos aprovou nesta quarta-feira, 10, o pacote de socorro de US$ 1,9 trilhão (cerca de R$ 10,8 trilhões) proposto pelo governo de Joe Biden para oferecer alívio aos americanos que sofrem as consequências econômicas da pandemia de coronavírus. O plano foi aprovado no fim de semana pelo Senado. Promessa de campanha do democrata, o projeto oferece uma nova rodada de pagamentos diretos às famílias e injeta recursos nos Estados, negócios e na distribuição das vacinas contra covid-19

Biden comemorou a aprovação do plano, afirmando que ele dará aos trabalhadores americanos a "chance de lutar". "Essa lei trata de dar à espinha dorsal desta nação - os trabalhadores essenciais, o povo trabalhador que construiu este país, as pessoas que mantêm o país funcionando - uma chance de lutar", reagiu, em nota, o presidente, que deverá sancionar a lei na sexta-feira.

O plano, que não obteve nenhum voto repubicano, permite uma injeção de dinheiro do governo federal em vários setores da economia. A maioria dos americanos receberá cheques de US$ 1,4 mil (R$ 8 mil) – a terceira rodada de pagamentos de auxílio, que começaram no governo Trump. Biden prometeu que os cheques chegarão aos americanos ainda neste mês. 

O auxílio para desempregados terá um suplemento semanal de US$ 300 até o início de setembro. Estados e municípios, que registraram queda de arrecadação, também serão beneficiados, além de escolas e pequenos negócios. O pacote prevê ainda dinheiro para a distribuição de vacinas e ampliação de testes de covid-19.

O pacote de ajuda havia sido aprovado pelo Senado no fim de semana, quando sofreu alterações. Os senadores limitaram o número de pessoas elegíveis para receber os cheques de US$ 1,4 mil, reduziram o pagamento semanal suplementar ao auxílio desemprego de US$ 400 para US$ 300 e derrubaram a previsão de aumento no salário mínimo por hora, que chegaria a US$ 15. As mudanças foram uma vitória dos democratas de centro, em um esforço da Casa Branca para manter a fidelidade dos senadores do partido.

Em 2020, a economia americana sofreu um colapso espetacular com uma contração de 3,5% do PIB, uma crise sem precedentes desde 1946. Segundo o Escritório de Orçamento do Congresso (CBO), o mercado de trabalho voltaria ao seu nível anterior à pandemia apenas em 2024, se nenhuma medida de estímulo fosse aplicada.

De acordo com a Casa Branca, esta legislação "histórica" pode criar até 7 milhões de novos empregos este ano e vai ajudar a salvar vidas e também a reduzir a pobreza infantil.  A presidência afirmou que espera que a legislação seja enviada ao presidente na quinta-feira e sua promulgação ocorra na sexta.

"Este é um momento crítico na história de nosso país", disse a presidente da Câmara, a democrata Nancy Pelosi, antes da votação. "A ajuda está a caminho", acrescentou ela enquanto a Câmara começava a votar.

Os republicanos, que se opõem ao tamanho da ajuda, argumentam que não há espaço fiscal para mais gastos, depois de US$ 4 trilhões de injeção de dinheiro na economia americana, e o pacote é dispensável, sob alegação de que a economia já tem dado sinais de recuperação. Para os republicanos e parte dos analistas conservadores, o pacote pode superaquecer a economia americana.

O líder da minoria republicana da Câmara, Kevin McCarthy, afirmou nesta quarta-feira que o plano de alívio econômico de Biden é uma "lista" de prioridades de esquerda que antecedem a pandemia. "Isso não é uma lei de resgate, não é uma lei de alívio", afirmou. "Esta é uma longa lista de prioridades de esquerda que antecede a pandemia e que não satisfaz as necessidades das famílias americanas."/COM AFP 

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.