Congresso americano discute a "ameaça venezuelana"

A Venezuela sofreu nesta quarta-feira uma enxurrada de críticas na Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, com o republicano Dan Burton afirmando que se o presidente Hugo Chávez continuar sendo coerente com seu discurso, "fica evidente que ele representa uma ameaça para a liberdade e a democracia nas Américas Central e do Sul".Numa reunião do subcomitê de assuntos para o Hemisfério Ocidental, convocada pelo Comitê de Relações Internacionais para analisar o estado da democracia na região, o republicano Jerry Weller mostrou várias fotos de caminhões com fertilizantes e helicópteros enviados por Chávez para facilitar a campanha presidencial do dirigente sandinista nicaragüense Daniel Ortega.O democrata Tom Lantos afirmou que apesar de na Venezuela o presidente, os parlamentares e outros dirigentes políticos serem eleitos periodicamente, era fácil ver que "a fachada da democracia que Chávez ergueu não pode ocultar a destruição infligida aos princípios democráticos e às liberdades fundamentais" no país.Já Bill Delahunt, um democrata cujo distrito eleitoral recebeu no último inverno petróleo subsidiado venezuelano para a calefação de moradias pobres, percebeu na audiência contra Chávez uma "contradição" com a história recente dos Estados Unidos. "No passado, temos apoiado ditadores e ditaduras no hemisfério", lembrou, mencionando entre elas a de Anastasio Somoza, na Nicarágua.Lantos considerou que, depois de "consolidar seu regime autoritário na Venezuela, Chávez voltou sua atenção e a considerável riqueza petrolífera do país para aumentar seu status internacional às expensas de seus vizinhos latino-americanos e nossos interesses nacionais".Na Bolívia, Peru, México e Nicarágua, continuou, "Chávez tem feito campanha abertamente e financiado os candidatos que considera que se unirão à sua aliança com o ditador cubano Fidel Castro".EUAO democrata Lantos propôs que, a fim de garantir que os presidentes recém-eleitos na América Latina "não se vejam pressionados por promessas de jorrar petróleo de ditadores com dólares", os Estados Unidos devem trabalhar em três áreas:- Um compromisso maior com a região, onde agora "estamos pagando o preço de uma infame posição de ficar vendo as coisas acontecerem".- Os Estados Unidos devem demonstrar respeito com todos os dirigente regionais, independentemente de sua posição política, à medida que defendam os direitos humanos, fortaleçam o estado de direito e promovam a governabilidade democrática.- Chegou a hora de os Estados Unidos decidirem entre defender o desacreditado status quo que está dando seus últimos suspiros em muitos países ou apoiar as transições para sociedades mais justas e igualitárias.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.