Congresso americano retoma sessões com muitas prioridades

O Congresso dos EUA, que a partir de janeiro estará sob domínio democrata pela primeira vez desde 1994, iniciou nesta segunda-feira, 13, uma breve sessão legislativa para votar várias prioridades da Casa Branca. Esta curta sessão legislativa - que marcou o retorno tanto dos vencedores como dos derrotados nas eleições de 7 de novembro - serviu de ponte para a próxima legislatura, que começará em 3 de Janeiro. A sessão, denominada "lame duck" (pato coxo) - termo usado desde 1830 para designar os políticos que não foram reeleitos, mas que ainda não finalizaram seu mandato - também serve para resolver assuntos que ficaram pendentes antes do recesso eleitoral. Esses assuntos incluem a aprovação de nove projetos orçamentários para o ano fiscal 2007, a extensão de vários cortes de impostos, e várias prioridades impulsionadas pelo presidente George W. Bush, como um acordo de cooperação nuclear com a Índia, um convênio comercial com o Vietnã, e a aprovação de John Bolton como embaixador dos EUA na ONU. O Congresso fará um recesso de duas semanas por conta da celebração do Dia de Ação de Graças, em 23 de novembro, e voltará em 4 de dezembro para a última parte desta sessão. Os democratas dominaram o Congresso durante quatro décadas, até que em 1994 a "revolução" republicana tirou deles a maioria no Legislativo. Entre 1940 e 2006, houve apenas 16 sessões "lame duck" no Legislativo. "A idéia era abreviar esse período de transição e permitir que o novo Congresso começasse a trabalhar o mais rápido possível", disse à Efe Betty Koed, do Escritório sobre a História do Senado. "Tradicionalmente, os legisladores se concentram em assuntos muito concretos, e no que é mais urgente, como nomeações ou distribuição de recursos. Mas também podem deixar assuntos para o Congresso seguinte", explicou Koed. Se surgirem polêmicas, como é previsível no caso do acordo nuclear com a Índia - estagnado no Senado -, o mais provável é que os democratas reiterem sua rejeição a essa iniciativa por considerar que mina os esforços globais contra a proliferação nuclear. Nesta sessão, os republicanos podem optar por medidas temporárias para financiar, com fundos de emergência, as operações de diferentes entidades federais. No fim de sua hegemonia no Congresso, os republicanos também terão a oportunidade de aprovar fundos para projetos especiais em seus distritos, e promover uma medida para a prospecção de petróleo no Golfo do México. Câmaras Paralelamente a esta sessão, tanto democratas como republicanos começarão o processo de escolha de sua nova hierarquia nas duas câmaras. Os democratas também selecionarão os presidentes de todos os comitês. Está previsto que na próxima quinta-feira os democratas elejam o líder da maioria na Câmara de Representantes. Jack Murtha, um septuagenário e veterano da Guerra do Vietnã, e Steny Hoyer, "número dois" da hierarquia democrata desde 2002, disputarão o cargo. Murtha é aliado e amigo fiel de Nancy Pelosi, próxima presidente da Câmara Baixa, e desponta como favorito nessa disputa. Essa escolha é, talvez, a mais importante no lado da Câmara de Representantes já que poderia ditar o tom para os próximos dois anos no Congresso. Murtha, que recebeu apoio de Pelosi no domingo, foi um crítico ferrenho do governo Bush sobre a Guerra do Iraque, e propôs o retorno paulatino das tropas. Na sua opinião, é um desastre que os EUA não tenham uma política ou estratégia de saída. O candidato líder da maioria na Câmara de Representantes também prometeu impulsionar as prioridades democratas, de corte populista, nas "primeiras cem horas" do novo Congresso, entre elas um aumento do salário mínimo, uma redução das taxas de juros para empréstimos estudantis, a expansão das pesquisas com células-tronco, e a aplicação de todas as recomendações da Comissão que averiguou os atentados de 2001. A Guerra do Iraque certamente dominará as discussões na próxima legislatura, já que os democratas insistirão na retirada paulatina das tropas nesse país, o que foi apoiado pela maioria da opinião pública nos EUA, mas que a Casa Branca e os republicanos tacharam de "muito má idéia".

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