Congresso cobra Hillary por falhas na Líbia

Prestes a deixar cargo em 2º mandato de Obama, secretaria de Estado fala sobre ataque terrorista que matou embaixador em consulado de Benghazi

DENISE CHRISPIM MARIN, CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

23 de janeiro de 2013 | 02h02

Quatro meses depois do ataque ao Consulado dos EUA em Benghazi, na Líbia, a secretária de Estado, Hillary Clinton, será ouvida hoje em duas comissões do Congresso sobre falhas na segurança, a versão inicialmente apresentada pelo governo para o ataque e sua responsabilidade no episódio. Será um dos últimos atos de Hillary no cargo. Ela será substituída pelo senador John Kerry, que será sabatinado no Congresso na próxima semana.

O ataque de 11 de setembro de 2012, 11 anos depois do ataque da Al-Qaeda a Nova York e Washington, resultou na morte do então embaixador americano na Líbia, Christopher Stevens, e de outros três agentes a serviço do Departamento de Estado. A audiência de Hillary nos comitês de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados e do Senado estava marcada para dezembro, mas foi adiada por seus problemas de saúde. Ela sofreu uma queda e também foi hospitalizada para tratar um coágulo na cabeça. Hillary já havia pedido ao presidente Barack Obama para não continuar no cargo no segundo mandato.

Ontem, o senador Bob Corker, líder republicano no comitê do Senado, avisou que não permitirá uma fácil audiência para Hillary. Ele defendeu uma revisão "de cima para baixo" no Departamento de Estado e avisou ter muitas questões sobre as políticas do governo de Obama para lidar com os grupos ligados à Al-Qaeda no Norte da África. O recente sequestro de funcionários de uma usina de gás na Argélia, no qual três americanos morreram, será outro tópico.

A primeira versão do governo para o ataque em Benghazi foi a de que uma manifestação espontânea contra um vídeo anti-Islã, feito nos EUA, havia extrapolado em violência. Dias depois, com a constatação de que haviam sido usadas granadas de mão, fuzis, granadas de morteiros e outras armas pesadas, tornou-se evidente a ação de terror.

O relatório de uma auditoria independente, divulgado em outubro, apagou as dúvidas restantes sobre o caráter terrorista do ataque. Na época, Hillary assumiu a responsabilidade pelo episódio e, com isso, aliviou o peso sobre os ombros de Obama, que estava na reta final de sua campanha para a reeleição. "Eu assumo a responsabilidade. Eu estou a cargo dos mais de 60 mil servidores do Departamento de Estado em todo o mundo", afirmou na ocasião.

Apontada como potencial candidata à Casa Branca na eleição de 2016, Hillary não queria deixar o governo antes de resolver essa questão no Congresso.

Ontem, o presidente Obama concluiu os rituais de posse de seu segundo mandato na Catedral Metropolitana de Washington e, de noite, em um baile para os funcionários da Casa Branca. O culto na catedral anglicana foi ecumênico, com a presença de sacerdotes de várias denominações cristãs, islâmicos, judeus, sikhs e de 2.200 pessoas. Obama estava acompanhado pela primeira-dama, Michelle, e pelo vice-presidente, Joe Biden, e sua família.

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