JEWEL SAMAD/AFP
JEWEL SAMAD/AFP

Congresso corre contra o tempo para evitar paralisação de governo dos EUA

Republicanos e democratas têm até sexta-feira para aprovar uma autorização temporária de despesas, que valeria por algumas semanas, enquanto negociam sobre o programa que beneficia 800 mil imigrantes ilegais levados aos EUA

Claudia Trevisan, Corespondente / Washington, O Estado de S.Paulo

15 Janeiro 2018 | 21h32

Congressistas republicanos e democratas têm mais quatro dias, a partir desta-terça-feira, dia 16, para fechar um acordo que garanta o funcionamento do governo americano até sexta-feira e regularize a situação de cerca de 800 mil imigrantes ilegais , conhecidos como “dreamers”, que chegaram ainda criança aos EUA

 Em setembro, o presidente dos EUA, Donald Trump, revogou o programa de proteção aos jovens, conhecido como Daca, e havia determinado prazo de seis meses para o Congresso encontrar uma solução definitiva – o prazo se esgota no início de março. A negociação, porém, acabou atrelada à questão do orçamento e naufragou na quinta-feira. Até esta segunda-feira, dia 15, não havia indicação de que os dois lados estavam próximos de uma solução.

+ Refugiados que vivem nos EUA têm dificuldade para reencontrar famílias

Os democratas condicionam seu voto a favor de qualquer proposta orçamentária à aprovação de lei que permita a permanência no país dos jovens inscritos no Daca. Com apenas 51 dos 100 votos no Senado, os republicanos precisam do apoio de ao menos 9 democratas para aprovar as medidas orçamentárias. Sem acordo, os dois lados já começam a fazer acusações mútuas sobre a responsabilidade por uma eventual paralisação do governo federal. 

+ Um ano depois, eleitores de região que garantiu vitória de Trump seguem fiéis

“Os democratas estão agora ameaçando paralisar o governo se não conseguirem a anistia para milhões de imigrantes ilegais. Vamos ver como isso funciona para eles”, escreveu no Twitter o senador Tom Cotton, representante da linha dura do Partido Republicano em relação à imigração.

+ Retórica ao menos expõe hipocrisia, dizem opositores de Trump

O senador democrata Brian Schatz jogou a culpa no campo adversário. “Ninguém ganha com uma batalha pela paralisação do governo, mas eu sei uma coisa: se isso acontecer, será porque um compromisso bipartidário foi rejeitado pelos republicanos. Qualquer um que diga que quer evitar uma paralisação deveria estar pedindo votos a favor daquela lei de consenso.”

+ Comentário racista atribuído a Trump trava reforma migratória no Congresso

A proposta consensual sobre o Daca foi negociada durante quatro meses por um grupo de seis senadores democratas e republicanos. Trump rejeitou a medida em reunião na Casa Branca, na quinta-feira, a mesma em que se referiu ao Haiti e a países africanos como “lugares de merda”, e disse que gostaria de ver mais imigrantes da Noruega nos EUA.

No domingo, Trump voltou ao assunto no Twitter. “O Daca está provavelmente morto, pois os democratas realmente não querem isso, eles só querem falar e tirar dinheiro que nossas Forças Armadas precisam desesperadamente.”

Os democratas veem a votação da autorização de gastos do governo como um de seus únicos trunfos na negociação da lei sobre o Daca. Ativistas e a ala mais à esquerda do partido pressionam para que os congressistas rejeitem financiar o governo sem uma medida que resolva a situação dos jovens imigrantes.

+ The Economist: O governo de Trump é tão ruim como se pinta?

O que o Congresso deverá votar até a meia-noite de sexta-feira não é o orçamento definitivo, mas uma autorização temporária de despesas, que valeria por algumas semanas. É possível que os congressistas cheguem a um acordo para aprovar a proposta e continuar a negociar uma saída para o Daca.

O adiamento, porém, pode esbarrar na oposição dos falcões do Partido Republicano, que ameaçam votar contra uma nova legislação de curto prazo para gastos públicos, que seria a quarta desde o início do ano fiscal, em outubro. Essas medidas temporárias mantêm o mesmo patamar de gastos do ano anterior e impedem o aumento do orçamento da Defesa defendido pelos falcões republicanos e pela Casa Branca.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.