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Congresso desafia Macri com lei que proíbe demissões

Presidente argentino prometeu barrar norma após votação que isolou seu bloco da oposição moderada peronista

Rodrigo Cavalheiro, CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES

19 Maio 2016 | 23h26

A Câmara de Deputados argentina desafiou o presidente Mauricio Macri ao aprovar ontem um projeto que proíbe demissões por 180 dias e determina dupla indenização em caso de descumprimento. A lei não protegerá postos de trabalho, já que Macri prometeu vetá-la provavelmente hoje, mas isolará o presidente. 

É a primeira vez que o líder argentino fica sem o apoio de peronistas moderados que garantiram votos em projetos complexos como o acordo com os fundos apelidados de abutres pelo kirchnerismo. Esse pacto recolocou o país no mercado de crédito internacional após 15 anos. 

Macri contava até agora regularmente com o suporte do que chama de “oposição racional” para levar adiante um governo cuja base política tem só 91 dos 257 deputados. O revés governista ocorreu em razão do apoio ao kirchnerismo do grupo de Sergio Massa, terceiro colocado na eleição presidencial, que vinha acompanhando o macrismo. A lei obteve 147 votos. 

Sindicatos que se reuniram com Macri para reclamar de 150 mil demissões desde dezembro nos setores público e privado prometeram organizar greves caso o presidente derrube a lei. Macri obteve de alguns grandes empresários na semana passada a promessa de uma pausa nas demissões. Ele considera que a lei afugentaria investidores e aumentaria o desemprego.

Embora mantenha popularidade acima de 50% segundo diferentes institutos, o sucessor de Cristina Kirchner tem perdido aprovação. Ele usou o capital político inicial para desvalorizar o peso - o que contribuiu para que o índice de inflação acumulado nos últimos 12 meses batesse em 39%. Macri também reduziu bruscamente os subsídios à luz, água, gás e transporte, o que multiplicou as contas em alguns casos em mais dedez vezes. Sua promessa é controlar a inflação e normalizar as tarifas no primeiro semestre.

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