Congresso do Partido Comunista Chinês decide os rumos do País

Presidente chinês terá consagração em encontro em que buscará eleger o sucessor no cargo

Agências internacionais,

14 de outubro de 2007 | 17h06

O 17º Congresso do Partido Comunista da China (PCCh), que começa nesta segunda-feira em Pequim, cercada por fortes medidas de segurança, permitirá ao secretário-geral da formação e presidente do país, Hu Jintao, reafirmar sua liderança a curto e médio prazo. Desde 1921, a cada cinco anos o congresso elege a liderança e estabelece as políticas a serem seguidas pela China. No encontro, o maior evento político do país, deverá ser discutida a agenda do país - assim como suas prioridades - para os próximos cinco anos. Muito pouco sobre os temas discutidos deverá ser revelado até o fim do encontro, que durará uma semana e ocorrerá a portas fechadas. Um forte controle do poder permitirá a Hu acelerar seus planos para equilibrar o grande, mas desproporcional, crescimento econômico, melhorar a qualidade de vida dos agricultores pobres, conter a crescente degradação do meio ambiente e promover políticas justas. Este ano, apesar dos rumores de que o congresso posicionará no próximo comitê permanente do birô político partidários de Hu, como os secretários provinciais do Partido Comunista em Liaoning, Li Keqiang, e em Xangai, Xi Jinping, a repentina ascensão de Ling Jihua não escapa aos analistas. Ling, que dirigia a propaganda das juventudes comunistas, substituiu nas vésperas do encontro Wang Gang, ligado ao ex-presidente chinês Jiang Zemin, como diretor do escritório-geral do comitê central, que controla o trabalho diário do partido. O mesmo cargo foi ocupado antes pelo atual primeiro-ministro, Wen Jiabao, e pelo vice-presidente Zeng Qinghong. Ainda sem claro sucessor, quando se completa o primeiro dos dois períodos de cinco anos estabelecidos pelo mandato, Hu submeterá seus planos até 2012 à aprovação formal dos outros 2.217 membros do partido, que está no Governo sem que venha a público suas divergências internas desde o fim dos protestos da Praça da Paz Celestial (1989). Segredos de Estado No PCC, os assuntos internos são considerados segredo de Estado. Os rumores indicam que, apesar de seus 80 anos, Jiang Zemin não parece disposto a abrir mão do poder que ainda possui e deixar que Hu eleja livremente seu sucessor. "A maquinaria está bem lubrificada para a renovação de dois terços dos dirigentes (muitos deles por idade). Se não estivesse, o congresso não se reuniria", disse em Pequim um analista político ocidental. Segundo ele, um aspecto importante da consolidação de Hu no poder máximo seria também a emenda - que será incluída no relatório do congresso - à constituição do partido "para refletir grandes conceitos teóricos", de acordo com a decisão de setembro do birô político do comitê central. A nova emenda incluirá "conceitos teóricos, pensamentos estratégicos e acordos de ação, a fim de destacar as mudanças e avançar na construção do socialismo com características chinesas", conceitos ligados à liderança de Hu. Crescimento científico Suas reiteradas promessas de "crescimento científico" (ou sustentável) em oposição ao "capitalismo selvagem", com o reequilíbrio dos benefícios de um crescimento de 11,1% em 2006, são principalmente dirigidas aos ortodoxos do partido, que acreditam que a abertura iniciada por Deng Xiaoping já foi longe demais. Termos cunhados desde que chegou ao poder em dezembro de 2002, como "conceito científico de desenvolvimento" e "construir uma sociedade harmoniosa" devem estar repercutidos em uma Constituição revisada mais de doze vezes em 86 anos de vida. De Mao Tsé-tung a Jiang, passando por Deng, os principais líderes comunistas articularam na Carta Magna sua própria filosofia, e Hu não seria uma exceção. Tudo indica que, se quando Hu chegou à cúpula do PCC era quase um desconhecido, o congresso qüinqüenal o consolidará como líder indiscutível. Muitos de seus slogans como "o povo em primeiro lugar", "o novo campo socialista", "nação voltada à invenção", "economia de conservação", "construção de um mundo harmonioso de paz duradoura e prosperidade comum" e "oito virtudes e oito defeitos", mencionado ao expressar insatisfação no avanço da luta contra a corrupção oficial, são resgatados da sabedoria popular. Distribuição de renda A "harmonia" propagada por Hu diz tentar reduzir o abismo gerado na distribuição dos benefícios do crescimento e propõe agir para evitar a desestabilização social, a maior fonte de preocupação no partido. A melhoria das condições dos cidadãos surge, então, como o objetivo principal das mensagens contidas nos slogans ideológicos, também voltados a deixar claro que a corrupção, a poluição e a falta de rede de proteção social geral e deficiência em educação e saúde estão sendo combatidos. Wen Jiabao também não parece estar em risco em seu cargo como primeiro-ministro. Ele também tem sua cota de slogans moralizantes, apesar de sua dificuldade em reconduzir os benefícios da abertura econômica e do crescimento junto a uma inflação impulsionada pelo preço de alimentos. Não se descarta que Hu proponha ainda uma nova estratégia para tentar frear as tentativas de independência de Taiwan. Mil jornalistas de 258 veículos de comunicação do mundo todo cobrirão o congresso sob um forte esquema de segurança, que parece testar a tecnologia que será usada quando 30 mil repórteres cegarem para os Jogos Olímpicos de Pequim. É a primeira vez que a presença de jornalistas estrangeiros é permitida para cobrir a reunião, que ocorre a portas fechadas e reúne 2.217 delegados no Grande Salão do Povo, em Pequim.

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