REUTERS/Mariana Bazo
REUTERS/Mariana Bazo

Congresso do Peru aceita renúncia de Kuczynski

Presidente havia ameaçado retirar seu pedido caso os legisladores não aceitassem as condições propostas por ele para deixar o cargo

O Estado de S.Paulo

23 Março 2018 | 13h57
Atualizado 23 Março 2018 | 14h34

LIMA - O Congresso do Peru aceitou nesta sexta-feira, 23, a renúncia apresentada pelo presidente Pedro Pablo Kuczynski em meio a uma crise política que será resolvida ainda nesta tarde com a tomada de posse pelo vice-presidente, Martín Vizcarra.

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A aceitação da carta de renúncia foi aprovada com 105 votos a favor, 12 contra e 4 abstenções, depois que a Junta de Porta-Vozes Legislativos concordou em aceitar a saída de Kuczynski e declarar a vacância da Presidência do Peru.

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A resolução do Congresso diz que a maioria dos legisladores "rejeita os feitos e as atribuições que o senhor Pedro Pablo Kucyznski Godard alega em sua carta de renúncia, já que não admite que a crise política atual o levou a renunciar em consequência de seus atos indevidos".

Kuczynski havia ameaçado retirar sua renúncia caso o Congresso não aceitasse as condições propostas por ele para deixar o cargo. "É inaceitável a proposta de Resolução Legislativa do Congresso que tenta apresentar como vacância (como o impeachment é chamado no Peru) a minha renúncia. Se seguir assim, retirarei minha carta e me submeterei ao procedimento regular de vacância, exercendo meu direito de defesa", afirmou ele.

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As declarações foram dadas por Kuczynski após a divulgação da resolução parlamentar que aceitaria a renúncia. O texto faz acusações duras ao presidente, chamando-o de "traidor da pátria". 

Horas antes, o Peruanos pela Mudança, o partido do presidente, ameaçou boicotar o processo de transição se o Congresso mantivesse os termos da resolução. 

Kuczynski apresentou sua renúncia na quarta-feira, pressionado pelo Congresso e parte da sociedade civil, após a divulgação de vídeos de membros do governo e aliados tentando comprar votos para barrar o processo de cassação do presidente no Parlamento.

A maior parte dos congressistas disse aceitar a renúncia de Kuczynski, mas o critica por não assumir na carta sua responsabilidade nos fatos denunciados. Alguns opositores insistem, por outro lado, na sequência do processo de vacância para ter a oportunidade de responsabilizar penalmente o presidente. 

Martín Vizcarra chegou nesta sexta-feira a Lima, procedente do Canadá, para fazer o juramento ao cargo de presidente da República diante do Congresso. Ele foi recebido no Aeroporto Internacional Jorge Chávez por centenas de simpatizantes, que o esperavam em um ambiente de festa e com bolos de aniversário, já que na véspera completou 55 anos de idade. / EFE

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