Congreso del Peru/EFE
Congreso del Peru/EFE

Congresso do Peru aprova moção de censura contra premiê

Primeira-ministra Ana Jara deverá apresentar demissão ao presidente Humala; Congresso não removia premiê desde 1963

Estadão Conteúdo

31 Março 2015 | 09h09

LIMA - O Congresso do Peru aprovou na noite de segunda-feira, 30, moção de censura contra a primeira-ministra, Ana Jara, pelas denúncias de espionagem contra políticos, jornalistas e outras personalidades pelos serviços de informação, controlado por ela. A moção de censura foi aprovada com 72 votos a favor, 42 contra e duas abstenções, depois de uma longa sessão plenária de debate.

A presidente do Congresso, Ana María Solórzano, informou que a decisão do Congresso seria comunicada ao presidente peruano, Ollanta Humala. 

Após esta decisão tomada pelo Parlamento, Jara deverá apresentar sua renúncia e do restante do gabinete. O chefe do Estado terá um prazo máximo de 72 horas para aceitá-la - a última vez que o Congresso peruano votou pela remoção de um premiê foi em 1963.

Após saber o resultado da votação, Ana Jara escreveu em sua conta no Twitter: "Dou graças ao Senhor Jesus por ter me dado a oportunidade de servir meu país no Executivo! É uma honra que este Congresso me censure". No início do ano, ela havia entrado em confronto com o Congresso a respeito de acusações de excessos na espionagem doméstica na Direção Nacional de Inteligência (Dini). Nos últimos dias, ela vinha defendendo firmemente seu histórico como primeira-ministra ao mesmo tempo em que criticou membros da oposição. Ana Jara estava no cargo desde julho do ano passado.

O pedido foi apresentado por congressistas dos partidos dos ex-presidentes Alberto Fujimori e Alan García, e do Partido Popular Cristão - Aliança para o Progresso (PPC-APP), que consideraram insuficientes as explicações que Jara ofereceu ao Congresso no último dia 20. Na ocasião, Jara foi ao plenário para falar sobre a compilação de milhares de dados que a Direção Nacional de Inteligência (Dini) fez de políticos, jornalistas e personalidades públicas, assim como de outros cidadãos e empresas particulares.

A revista "Correo Semanal" informou no dia 19 que a DINI tinha rastreado informação dos registros públicos de centenas de pessoas, entre as quais estavam a maioria dos atuais congressistas, a própria Jara, o ex-presidente Alejandro Toledo e o atual ministro da Defesa, Pedro Cateriano.

Autoridades do governo confirmaram que a agência de espionagem usou arquivos do registro nacional de propriedade, conhecido como Sunarp, para reunir informações sobre propriedades pertencentes a pessoas conhecidas do país. A agência de espionagem tem permissão para reunir informações domésticas de inteligência, mas o escopo amplo dessas atividades irritou muitos políticos de oposição.

A Dini teve suas funções suspensas no dia 1º de março por ordem do presidente Humala, que determinou um prazo de 180 dias para que o organismo seja reestruturado por outras denúncias de espionagem sobre opositores do governo.

Através de sua conta no Twitter, a presidente do partido Nacionalista e esposa de Ollanta Humala, Nadine Heredia, disse nesta terça-feira, 31, que a moção de censura "é uma lamentável demonstração de chantagem política e aproveitamento eleitoral sem pensar nas consequências para o país". 

A popularidade de Humala caiu desde que ele assumiu a presidência. Em março, sua taxa de aprovação estava em 25% segundo o instituto Ipsos Peru. / EFE e AP

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