Mariana Bazo/Reuters
Mariana Bazo/Reuters

Congresso do Peru aprova relatório da Lava Jato sem incluir Keiko Fujimori e Alan García

Texto aprovado pelos parlamentares peruanos recomenda denúncias contra 132 pessoas; três ex-presidentes são alvos

O Estado de S.Paulo

10 Novembro 2018 | 03h18

LIMA - O Congresso do Peru aprovou nesta sexta-feira, 9, o relatório que recomenda denunciar 132 pessoas no capítulo peruano da Operação Lava Jato. Entre os alvos estão os ex-presidentes Alejandro Toledo, Ollanta Humala e Pedro Pablo Kuczynski. O texto não sugere  denúncias contra o ex-presidente Alan García nem contra a líder opositora Keiko Fujimori, filha mais velha do ex-presidente Alberto Fujimori, investigados pelo Ministério Público.

O relatório da comissão parlamentar que averiguou o caso Lava Jato foi aprovado pelo plenário do parlamento, onde o fujimorismo tem maioria, e será enviado ao Ministério Público e à subcomissão de Acusações Constitucionais do Congresso.

O documento acusa as pessoas que participaram de supostos subornos e irregularidades de empresas brasileiras em 11 projetos de infraestrutura executados no Peru, que supostamente geraram ao Estado peruano um prejuízo de US$ 4,45 bilhões.

Acusações contra ex-presidentes

Alejandro Toledo (2001-2006), cujo caso tramita na procuradoria há quase dois anos, é acusado de ter recebido US$ 20 milhões em subornos da Odebrecht em troca da concessão de vários trechos da estrada interoceânica do norte.

Toledo está à espera de que os Estados Unidos resolvam uma solicitação de extradição cursada pela Justiça peruana para que seja enviado à prisão preventiva por 18 meses, enquanto continua sendo investigado pelos supostos crimes de lavagem de dinheiro, suborno passivo próprio e tráfico de influência.

O relatório também acusa Olanta Humala (2011-2016) de infrações constitucionais e imparcialidade de funcionários nas licitações concedidas a OAS e Odebrecht para o Centro de Convenções de Lima, o Gasoduto Sul Peruano e o projeto de regadio de Olmos.

Pedro Pablo Kuczynski (2016-2018) é acusado de lavagem de dinheiro no projeto Olmos, o mesmo no qual a sua empresa de consultoria Westfield Capital cobrou US$ 782 mil a uma filial da Odebrecht por assessorias entre 2004 e 2007, quando ele era ministro do governo de Toledo.

Keiko Fujimori e Alan García ficam de fora

Antes da votação, o fujimorismo e o Partido Aprista Peruano (PAP) rejeitaram uma iniciativa para incluir no relatório seus respectivos líderes, Keiko Fujimori e o ex-presidente Alan García (2006-2011), pelos seus nexos com empresas brasileiras imersas no relatório.

A congressista fujimorista Rosa Bartra, presidente da comissão investigadora, argumentou que Keiko Fujimori não figura no seu relatório porque não foi funcionária pública nos casos investigados.

No caso de García, a comissão da Lava Jato decidiu isentá-lo das acusações de conluio, suborno e negociação incompatível pelas irregularidades na construção da linha 1 do metrô de Lima, no qual supostamente a Odebrecht pagou subornos no valor de US$ 24 milhões.\ EFE

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