Joshua Roberts/Reuters
Joshua Roberts/Reuters

Congresso dos Estados Unidos fica dividido após morte do general Qassim Suleimani

Enquanto republicanos apoiam atitude de Donald Trump, democratas apontam que o presidente está iniciando uma guerra contra o Oriente Médio, sem o apoio do povo americano; veja opiniões

Redação, O Estado de S. Paulo

03 de janeiro de 2020 | 04h21

WASHINGTON - O assassinato do poderoso general Qassim Suleimani, comandante da Guarda Revolucionária do Irã, na quinta-feira, 02, dividiu fortemente os líderes políticos dos Estados Unidos e reacendeu um debate em torno da questão se o Congresso deve ou não, reduzir os poderes de guerra do presidente Donald Trump.

"Esse cenário em particular é o que eu temo há muitos anos e que pode muito bem levar ao tipo de violência e caos que estamos tentando desesperadamente nos manter fora", disse o deputado Andy Kim, ex-consultor sobre o Iraque, no Conselho de Segurança Nacional do ex-presidente Barack Obama. "As próximas horas e dias serão muito importantes", completou.

Segundo a presidente da Câmara Nancy Pelosi, o ataque foi realizado 'sem a consulta do Congresso'. "As maiores prioridades dos nossos líderes são proteger as vidas e os interesses americanos. Mas estaremos colocando isso em risco ao participar de ações provocativas e desproporcionais”, afirmou em comunicado.

Já os legisladores republicanos elogiaram o presidente pela ação, dizendo que Trump havia trazido justiça a dezenas de famílias de militares americanos. Autoridades dos Estados Unidos consideram que Suleimani foi responsável pela morte de centenas de soldados dos EUA durante a Guerra do Iraque, além de ter realizado atividades iranianas hostis em todo o Oriente Médio.

"Sua morte representa uma oportunidade para o Iraque conseguir determinar seu próprio futuro, livre do controle iraniano", disse o senador Jim Risch, de Idaho. Ele é presidente do Comitê de Relações Exteriores da câmara.

Já o senador Marco Rubio, da Flórida, disse no Twitter que Trump foi "admirável ao estabelecer limites e impor as consequências para quem decidir cruzá-los". Ele também escreveu que os soldados da Guarda "são os únicos culpados por provocar o momento perigoso que temos agora, diante de nós".

No entanto, os democratas se preocupam com as consequências do ataque. O deputado Seth Moulton disse que Suleimani é um "inimigo dos Estados Unidos com sangue americano nas mãos. Mas a pergunta que enfrentamos há anos, no Iraque, era como matar mais terroristas do que criamos".

"Essa é uma questão em aberto hoje à noite, enquanto aguardamos a reação do Irã à escalada de Donald Trump, que pode desencadear uma guerra regional, ainda sem estratégia do governo", finalizou Moulton.

Outros legisladores, como o senador Tom Udall, do Novo México, acusaram Trump de colocar a nação "à beira de uma guerra ilegal contra o Irã". "Essa escalada imprudente de hostilidades provavelmente é uma violação da autoridade de guerra do Congresso - bem como do nosso acordo de paz com o Iraque -, colocando em risco as forças e os cidadãos dos EUA", disse em um comunicado. 

"Muito possivelmente estamos nos afundando em outra guerra desastrosa no Oriente Médio, que o povo americano não está pedindo e que não apoia". Udall, como parte de um grupo bipartidário de legisladores, lutou no ano passado para aprovar uma medida que exigiria que Trump obtivesse a permissão do Congresso, antes de atacar o Irã.

No entanto, a resolução, que precisaria da assinatura do próprio presidente, foi descartada pelo Senado em junho. Outra tentativa de incluir a medida na Lei de Autorização de Defesa Nacional dos Estados Unidos, também foi posta de lado, antes de sua versão final chegar ao congresso.

"Qualquer membro que não votou na medida, agora não pode expressar consternação por Trump ter iniciado outra guerra no Oriente Médio", disse o deputado Ro Khanna, da Califórnia. Ele era um dos patrocinadores da proposta. "Nosso Congresso decepcionou a nossa nação novamente, ao não resistir a uma guerra contra o Irã", finalizou./ NYT

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