Congresso dos EUA começa batalha por fast track

Com um desfecho ainda incerto, começou nesta quarta-feira oficialmente no Congresso dos Estados Unidos a batalha política que poderá definir o sucesso ou o fracasso do projeto de criação da Área de Livre Comércio das Américas, a Alca.Sob o argumento de que as empresas norte-americanas correm o perigo de perder mercados, os líderes do Partido Republicano na Câmara de Representantes apresentaram um projeto de lei que dá ao presidente George W. Bush um amplo mandato para negociar novos acordos de liberalização comercial."Simplesmente não podemos nos dar ao luxo de continuar como espectadores enquanto o resto do mundo faz acordos comerciais que excluem os EUA", afirmou o vice-líder da bancanda, deputado Tom Delay, do Texas.A Autoridade de Promoção Comercial (TPA), ou "fast track", proposta pelos conservadores, não exclui as leis de defesa comercial dos Estados Unidos, como antidumping, nem contêm maiores restrições, como cláusulas ambientais ou trabalhistas.Ela contempla a possibilidade de o executivo negociar "acordos complementares" sobre questões não diretamente relacionadas com o comércio.Como se esperava, os democratas condenaram a iniciativa dos republicanos e prometeram barrá-la. O vice-líder do partido na Câmara, deputado David Bonior, declarou-se "desapontado".No Senado, onde os democratas são agora maioria, a reação foi mais forte. "Se isso representa um início, então temos um longo caminho pela frente para dar um tratamento adequado às preocupações com as proteções trabalhistas e ambientais e com a manutenção da integridade das leis comerciais dos Estados Unidos", disse Mike Siegel, porta-voz do senador Max Baucus, de Montana.Como presidente da Comissão de Finanças, Baucus terá um papel central na tramitação de um projeto de lei sobre o TPA no Senado.Os debates da proposta republicana nas comissões não devem começar em menos de oito semanas. Mesmo assim, o líder da bancada na Câmara, Dick Armey, disse que submeterá a lei ao plenário "no minuto que tiver o número de votos" necessários para sua aprovação.Ao que tudo indica, o objetivo inicial dos republicanos é conseguir um "fast track" puro na Câmara para negociar, em comissão mista, com o Senado, onde os democratas certamente incluirão condições e limitações à autoridade presidencial para negociar. Por ora, o TPA não apareceu na agenda do líder democrata no Senado, Tom Daschle.

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