Congresso dos EUA debate aumento de verba militar

Com os americanos enrolados na bandeira e as pesquisas de opinião a indicar apoio maciço à maneira como o presidente George W. Bush vem conduzindo a guerra contra o terrorismo, vários senadores previram que o aumento das despesas com defesa, pedido pela Casa Branca na proposta de orçamento enviada ao Congresso na segunda-feira, deverá ser aprovado sem modificações substanciais.O secretário de Defesa, Donald Rumsfeld, não ouviu nenhuma pergunta difícil dos membros da Comissão das Forças Armadas do Senado, onde esteve para justificar o pedido de dotação de US$ 379 bilhões, que embute o maior aumento dos gastos militares - 14,5% - em vinte anos. "Nossos adversários estão olhando o que estamos fazendo, eles estão estudando o sucesso do ataque que sofremos, como estamos respondendo e quão vulneráveis seremos no futuro", disse Rumsfeld.Mas o apoio da população à guerra contra o terrorismo e a alta taxa de aprovação de Bush não impediram a oposição democrata de denunciar a proposta orçamentária de US$ 2,13 trilhões que reintroduz o déficit fiscal, depois de quatro anos de superávits, usa os saldos da Seguridade Social para financiar despesas correntes, prevê novos cortes de impostos para as faixas mais ricas da população e pretende financiar o incremento dos gastos do Pentágono e com a defesa interna com cortes nos programas sociais, ambientais e investimentos na conservação de estradas. Numa primeira demonstração da determinação da oposição a resistir a elementos importantes da proposta de Bush, o líder da maioria democrata no Senado, Thomas Daschle, de Dakota do Sul, anunciou o colapso das negociações sobre um pacote de estímulo econômico já aprovado pela Câmara. Embora a votação dos detalhes do orçamento esteja prevista para começar somente depois de semanas de audiências públicas e debates no Congresso, a proposta orçamentária que Bush enviou ao Congresso incorporou o pacote de medidas de estímulo econômico em debate no Senado desde dezembro como um elemento central para acelerar a volta do crescimento. A votação, marcada para amanhã, seria um primeiro teste da receptividade ao orçamento de Bush.Hoje à tarde, porém, Daschle anunciou que retirará o projeto de lei do plenário e responsabilizou seus adversários republicanos "por tentar marcar um tento político" em lugar de trabalhar por uma solução de compromisso. O líder democrata disse que as negociações chegaram a um impasse por causa da insistência dos conservadores em incluir no pacote US$ 62 bilhões em novos cortes de impostos e incentivos fiscais para empresas e as faixas mais abonadas da população, previstos no orçamento de Bush. A proposta do líder americano contém também um pedido adicional de US$ 344 bilhões em cortes de impostos além dos US$ 1,35 trilhão que o Congresso já aprovou para os próximos dez anos.O efeito da combinação de aumento de gastos com defesa e segurança interna e dos cortes de impostos, propostos por Bush em nome da luta contra o terrorismo e a recessão, é que "não haverá virtualmente nenhuma verba adicional para programas que vão da educação e saúde aos transportes e à pesquisa científica, passando pelo retreinamento de trabalhadores", disse o deputado David Obey, democrata de Ohio.O New York Times foi mais contundente na denúncia da proposta orçamentária de Bush. "Virtualmente todo mundo apóia gastar o dinheiro que for necessário para travar uma guerra contra o terrorismo em casa e no exterior", afirmou o jornal em seu editorial principal. "Mas a segurança nacional não requer novas isenções fiscais para empresas ou a construção de um novo caça concebido para a guerra-fria", continuou o jornal, numa referência ao pedido de autorização de bilhões de dólares para a compra de novos aviões F-22. "Bush está usando a campanha contra o terror para disfarçar uma agenda ideológica que não tem nada a ver com a defesa interna ou com a luta contra o terrorismo no exterior". Leia o especial

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