Paul Ratje / AFP
Paul Ratje / AFP

Congresso dos EUA deveria discutir proibição de armas de assalto, diz CEO do Walmart

Doug McMillon afirma que proibição deste tipo de armamento deve ser analisada para determinar eficácia da medida contra ataques em massa; ele diz, no entanto, que a empresa não pretende suspender vendas de outros armamentos em suas lojas

Redação, O Estado de S.Paulo

15 de agosto de 2019 | 16h14

WASHINGTON - Quase duas semanas depois de um ataque a tiros em uma loja do Walmart na cidade de El Paso, no Texas, deixar 22 mortos, o CEO da empresa, Doug McMillon, pediu que o Congresso dos Estados Unidos analise a possibilidade de proibir a venda de armas de assalto e defendeu medidas de controle de armas, como verificação de antecedentes.

"Acreditamos que a proibição de armas de assalto deve ser debatida para determinar sua eficácia em manter as armas feitas para a guerra fora das mãos dos assassinos em massa", disse o executivo em seus comentário sobre os lucros da empresa, divulgados nesta quinta-feira, 15. "Também precisamos fazer mais para entender as causas que levam a esse tipo de comportamento violento."

McMillon afirmou que não há planos para que as lojas da rede deixem de vender armas e munições - o Walmart já não comercializa armas de assalto. Ele também expressou apoio a implementação de medidas de verificações de antecedentes mais rígidas que tirariam as armas de pessoas que representam perigo imediato. 

"Tentamos medidas de senso comum que nos permitam servir aos clientes e criar um entorno mais seguro", afirmou McMillon. O Walmart faz verificações de antecedentes em todas as vendas de armas e diz que só atende clientes sem que não tenham problemas em seu histórico.

O executivo divulgou pela primeira vez a participação da empresa no mercado americano de armamentos. "Estimamos que (a venda de armas pelo Walmart) representa cerca de 2% do mercado de armas de fogo atualmente, o que nos coloca entre os três principais vendedores da indústria", afirmou McMillon. Sobre a venda de munição, ele disse que a quantidade comercializada nas lojas da rede representa cerca de 20% do mercado americano.

A rede varejista entrou na discussão sobre o controle de armas após o ataque a tiros em 3 de agosto em El Paso, Texas.  A empresa é criticada por defensores do controle de armas há décadas por sua decisão de continuar vendendo alguns tipos de armas de fogo.

O Walmart limitou a vendas de alguns tipos de armas depois de alguns ataques a tiros nos EUA: o grupo interrompeu as vendas de armas de estilo militar em 2015 e elevou a idade para a compra de arma de fogo para 21 anos, em 2018, após um ataque em uma escola na Flórida.

A rede também removeu de suas lojas displays de jogos de videogames violentos, uma medida considerada ineficaz pelos defensores do controle de armas.

Nesta quinta, o CEO do Walmart afirmou que a empresa está avaliando outras mudanças. Em uma carta aberta publicada na internet após o ataque em El Paso, McMillon disse que a empresa de Bentonville, no Estado de Arkansas, será "cuidadosa e deliberada em suas respostas". / BLOOMBERG E AFP

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