Leah Millis/ Reuters
Leah Millis/ Reuters

Congresso dos EUA ouve FBI e oficiais da Defesa em investigação de invasão ao Capitólio

Funcionários de agências de defesa e aplicação da lei enfrentaram críticas por não terem calculado os riscos de uma possível invasão em 6 de janeiro

Redação, O Estado de S.Paulo

03 de março de 2021 | 15h00

WASHINGTON - Parlamentares americanos vão ouvir depoimentos de vários oficiais de defesa e aplicação da lei dos EUA nesta quarta-feira, 3, no âmbito das investigações do Congresso sobre falhas que possibilitaram a invasão do Capitólio nos Estados Unidos por extremistas pró-Donald Trump em 6 de janeiro. 

Essa será a segunda dessas audiências perante o Comitê de Regras e Administração do Senado e o Comitê de Segurança Interna e Assuntos Governamentais, que juntos têm investigado o ataque e questionado a forma como as autoridades responderam a ele. O evento pode lançar mais luz sobre as discussões entre as agências de defesa e aplicação da lei antes e durante a invasão.

Na semana passada, funcionários responsáveis pela segurança naquele dia - incluindo o chefe de polícia em exercício de DC, Robert J. Contee III, o ex-chefe da Polícia do Capitólio Steven Sund e o ex-sargento do Senado Michael C. Stenger - procuraram explicar por que eles não responderam mais agressivamente aos dados de inteligência que anteciparam a possível violência, como um relatório do FBI de 5 de janeiro alertando sobre “guerra” no Capitólio.

O relatório mostrou que discussões na internet falavam que os "vidros do Congresso precisavam ser quebrados", "portas chutadas" e "sangue de antifas e BLM (Black Lives Matter) derramado". Também incitava os manifestantes a não chamarem o ato de marcha, protesto ou manifestação, e sim de "guerra". 

A audiência na quarta-feira permitirá que legisladores pressionem o FBI sobre a inteligência que a agência reuniu, bem como oficiais militares e de segurança interna sobre sua resposta à possível ameaça.

Estão programados depoimentos de William J. Walker, comandante geral da Guarda Nacional de D.C, Jill Sanborn, a diretora assistente da divisão de contraterrorismo do FBI, Melissa Smislova, funcionária sênior do Escritório de Inteligência e Análise do Departamento de Segurança Interna e Robert Salesses, um alto funcionário do Departamento de Defesa.

Acusações

Funcionários de praticamente todas as agências federais de aplicação da lei e de defesa enfrentaram críticas por calcularem mal a possibilidade de que partidários do ex-presidente Donald Trump, que foi a Washington para um comício em 6 de janeiro, se tornassem violentos e atacassem o Capitólio, onde congressistas estavam contando os votos das eleições. Além das investigações do Congresso, os inspetores-gerais de várias agências federais estão investigando a resposta dos funcionários.

Até agora, não faltaram acusações. Na audiência da semana passada, Contee disse que ninguém no FBI ligou para ele para falar sobre o relatório de 5 de janeiro. “Eu certamente pensaria que algo tão violento como uma insurreição no Capitólio justificaria um telefonema ou algo assim”, disse Contee, reconhecendo que sua agência havia recebido o relatório por e-mail.

Na terça-feira, o diretor do FBI Christopher A. Wray defendeu a resposta da agência, dizendo que distribuiu o relatório de três maneiras: em um e-mail para a Força-Tarefa Conjunta de Terrorismo, que inclui a polícia de D.C. e do Capitólio; em uma postagem em um portal de aplicação da lei; e em uma instrução verbal em um centro de comando em D.C.

"A ideia é que eles deveriam repassar para sua cadeia de comando", disse Wray. "Não considero o que aconteceu em 6 de janeiro um resultado aceitável. E é por isso que estamos nos empenhando tanto em descobrir como o processo pode ser melhorado". 

Wray disse ainda que o terrorismo doméstico "está em metástase por todo o país há muito tempo e não vai desaparecer tão cedo". "Sempre que tivemos a chance, tentamos enfatizar que essa é uma das principais preocupações.” / W. Post

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