AP Photo/Evan Vucci
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Congresso dos EUA solicita documentos de ex-diretor do FBI sobre conversas com Trump

Comissão de Inteligência do Senado quer ouvir ex-diretor do FBI e, a da Câmara, quer ter acesso a ‘memorandos, notas, resumos e gravações’ que estão em poder da Polícia Federal americana

O Estado de S.Paulo

17 Maio 2017 | 08h29

WASHINGTON - A Comissão de Inteligência do Senado que investiga a suposta interferência russa nas eleições dos EUA solicitou nesta quarta-feira, 17, ao ex-diretor do FBI James Comey, demitido pelo presidente Donald Trump na semana passada, que  testemunhe diante do painel. 

O presidente e o vice-presidente da Comissão enviaram a Comey uma carta "pedindo seu comparecimento diante da Comissão tanto em sessão aberta quanto fechada", indicou um comunicado do painel. Esta semana, Comey rejeitou um convite, feito antes de sua demissão, para uma sessão fechada com os senadores. Mas segundo o New York Times,  ele estaria disposto a falar aos congressistas em uma sessão aberta. 

O senador republicano Marco Rubio disse que é “inevitável” que Comey seja chamado para depor no Congresso sobre suas conversas com Trump. “Agora é inevitável (...). Pensei que ele o faria de qualquer jeito, mas diante do que lemos ontem (terça-feira) no jornal, o diretor Comey, ou ex-diretor Comey, terá de depor ante o Congresso”, disse Rubio ao programa Fox & Friends, segundo o jornal The Washington Post.

Rubio se referia à reportagem do New York Times que afirma que Comey elaborou um memorando descrevendo o pedido que Trump fez a ele, durante uma reunião entre os dois, para interromper uma investigação aberta contra o ex-conselheiro de Segurança Nacional Michael Flynn, que se demitiu após mentir ao vice-presidente, Mike Pence, sobre o teor de uma conversa telefônica com o embaixador russo em Washington durante as eleições. 

O senador republicano afirmou que ele e outros membros do Congresso querem ouvir Comey diretamente. “Não iremos basear nossa opinião somente em um artigo de jornal”, explicou. “Precisamos conhecer os fatos e, para isso, não vou dizer que as matérias estão erradas.”

A Comissão de Inteligência da Câmara dos Deputados, por sua vez, solicitou na terça-feira, 16, ao FBI todos os documentos que  Comey elaborou sobre suas conversas com o presidente  Trump.

A petição, assinada pelo presidente da Comissão, o republicano Jason Chaffetz, inclui "memorandos, notas, resumos e gravações" em poder do FBI para que sejam entregue antes do dia 24 de maio.

"Se for verdade, estes memorandos apresentam dúvidas sobre se o presidente tentou influenciar ou impedir a investigação do FBI no que se refere ao general (Michael) Flynn", disse Chaffetz, em sua carta dirigida ao diretor interino do FBI, Andrew G. McCabe.

Memorando. James Comey, que foi demitido por Trump recentemente, registrou em um memorando em fevereiro uma tentativa do presidente de acabar com uma investigação federal sobre a ligação de um integrante de seu governo com funcionários russos. 

De acordo com o NYT, Trump buscava barrar a investigação sobre Michael Flynn, que um dia antes do pedido havia se demitido do cargo de assessor de Segurança Nacional. “Espero que você deixe isso para lá”, disse o presidente a Comey, segundo o memorando. A existência de um apelo como esse é o mais claro indício de que o presidente tentou influenciar diretamente as investigações do Departamento de Justiça e do FBI sobre as conexões entre Trump e assessores com a Rússia, o que configuraria obstrução de Justiça. / THE WASHINGTON POST, AFP e EFE

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