Congresso 'elege' hoje presidente chinês

Nomeação de Xi Jinping é certa desde que assumiu o Partido Comunista, em novembro

CLÁUDIA TREVISAN, CORRESPONDENTE / PEQUIM, O Estado de S.Paulo

14 de março de 2013 | 04h18

A China realiza hoje o último ato do coreografado processo de troca de sua cúpula dirigente, com a chegada de Xi Jinping à presidência do país. Líder do Partido Comunista desde novembro, ele deve ser "eleito" por unanimidade pelos 2.987 integrantes do Congresso Nacional do Povo, que encerram no domingo sua reunião anual.

Com o nome de Xi definido desde 2007, a expectativa gira em torno de quem ocupará a vice-presidência, cargo que, na China, está em oitavo lugar na hierarquia de comando, atrás dos sete integrantes do Comitê Permanente do Politburo do Partido Comunista, cujos integrantes foram definidos em novembro.

Segundo reportagem divulgada ontem pela Reuters, o escolhido será o reformista Li Yuanchao, de 62 anos, que dirigiu de 2007 a 2012 o Departamento de Organização do Partido, uma espécie de área de recursos humanos da maior organização política do mundo.

Apesar das posições liberais de Li, analistas não veem sua nomeação como um sinal de orientação reformista do novo governo. "É um prêmio de consolação pelo fato de ele ter ficado fora do Comitê Permanente do Politburo", avalia Wu Qiang, professor de ciência política da Universidade Tsinghua.

Seu adversário na disputa pela vice-presidência é o conservador Liu Yunshan, de 65 anos, número cinco na nova hierarquia de comando e dirigente do poderoso Departamento de Propaganda do Partido Comunista. "Ele já acumula o cargo com o comando da Escola Central da organização e sua escolha como vice-presidente lhe daria demasiado poder", pondera o analista Chen Ziming. Em sua opinião, a provável escolha de Li Yuanchao é uma forma de acomodá-lo dentro da estrutura do partido. "Se não ocupar o cargo, ele ficará 'desempregado'", diz. No entanto, Chen também não acredita que sua nomeação seja uma indicação de fortalecimento da ala reformista. "Eu não vejo sinais de reforma."

A decisão sobre quem ocupará a vice-presidência já estará tomada pela cúpula do partido antes de os 2.987 representantes se reunirem hoje no Grande Palácio do Povo, na praça Tiananmen. Apenas um nome para cada posição será apresentado ao plenário, que invariavelmente diz "sim".

O novo número dois na liderança do país é Li Keqiang, que assumirá o cargo de primeiro-ministro em substituição a Wen Jiabao. No domingo, ele dará sua primeira entrevista coletiva, com a presença de centenas de jornalistas chineses e estrangeiros. Como tudo o que envolve os dirigentes chineses, o script do evento é definido com antecedência: as perguntas são submetidas dias antes da entrevista, com tempo suficiente para as respostas serem elaboradas.

O encontro de hoje do Congresso Nacional do Povo também aprovará a proposta de reestruturação administrativa do governo, que dividiu em dois o poderoso Ministério das Ferrovias e fortaleceu órgãos reguladores dos setores de energia e segurança alimentar.

As áreas administrativas e de regulação do Ministério das Ferrovias serão incorporadas pelo Ministério dos Transportes, enquanto a operação passará a ser gerida por uma nova estatal, a China Railway Corporation.

O desmembramento não afetará o programa de investimentos de US$ 369 bilhões no período de 2011 a 2015, que tem o objetivo de dobrar a extensão das linhas de trem de alta velocidade dos atuais 9 mil quilômetros para 18 mil quilômetros. A linha que o Brasil pretende construir entre o Rio de Janeiro e Campinas é de 510 quilômetros. Além de escândalos de corrupção, a ampliação da malha chinesa deu origem a uma dívida de 2,66 trilhões de yuans (R$ 840 bilhões) ou quase 26 vezes mais que o investimento previsto para o trem bala brasileiro.

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