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Congresso espanhol vota hoje sobre impasse

O líder do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), Pedro Sánchez, fará hoje uma segunda e derradeira tentativa de ver aprovado no Parlamento um governo que ponha fim a um impasse político que já dura mais de cem dias no país

Andrei Netto - CORRESPONDENTE / PARIS , O Estado de S. Paulo

04 de março de 2016 | 07h00

O líder do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), Pedro Sánchez, fará hoje uma segunda e derradeira tentativa de ver aprovado no Parlamento um governo que ponha fim a um impasse político que já dura mais de cem dias no país. 

Com o apoio do partido de centro direita Ciudadanos, os socialistas fracassaram na noite de quarta-feira, quando uma primeira votação no Legislativo resultou em 130 votos a favor da posse de um governo de minoria, longe dos 176 apoios necessários. Caso o veto se repita, as negociações políticas voltam à estaca zero.

Até a noite de ontem, a clara tendência era de um novo fracasso de Sánchez. Isso porque o Parlamento espanhol, que entre 1982 e 2015 foi dominado por dois partidos hegemônicos – PSOE, de centro esquerda, e Partido Progressista (PP), de direita – foi dividido em quatro forças políticas. Nas eleições de 20 de dezembro, dois novos partidos, o Podemos, de esquerda, e o Ciudadanos, de centro direita, elegeram juntos 139 deputados. Com isso, nenhum líder obteve o mínimo para chegar a um governo de maioria.

Com o fracasso das negociações para formação de uma coalizão, o atual primeiro-ministro, Mariano Rajoy, do PP, que havia vencido as eleições, mas sem maioria, teve de dar a vez a Sánchez. É essa oportunidade que será avaliada hoje. 

Tudo depende do apoio do líder do Podemos, Pablo Iglesias, sem o qual a tendência é de novo veto. Ontem, a prefeita de Madri, Manuela Carmena, que governa apoiada pelo Podemos e pelo PSOE, chegou a pedir que Iglesias apoiasse Sánchez. Minutos depois, corrigiu-se no Twitter e defendeu a formação de uma coalizão entre os dois partidos. “Um governo forte e de mudança é um governo de coalizão entre o PSOE e o Podemos”, exortou.

Líderes socialistas históricos, como o ex-primeiro-ministro Felipe González, não aceitam a aliança com Iglesias, considerado radical demais. Mesmo assim, o porta-voz do PSOE, Antonio Hernando, convidou os deputados do Podemos a aprovar a posse de Sánchez, ou a se abster, o que permitiria que o socialista assumisse. Um dos argumentos é o de que os socialistas apoiam governos do Podemos em cidades como Madri, Santiago de Compostela, Zaragoza e Cádiz, sem que para isso tenha exigido uma coalizão.

Pivô da solução, Iglesias exige do PSOE uma aliança política formal, na qual seu partido teria a metade dos ministérios e o cargo de vice-primeiro-ministro, o que Sánchez descarta. 

Caso o impasse persista, novas eleições serão convocadas para buscar o fim do bloqueio no Parlamento. Nesse caso, a votação deve ocorrer em 26 de junho.


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