Enrique Marcarian/Reuters-15/08/11
Enrique Marcarian/Reuters-15/08/11

Congresso investigará Mães da Praça de Maio

ONG pró-governo é acusada de desvio de fundos para ajudar a presidente Cristina Kirchner a financiar suas campanhas eleitorais

Ariel Palacios, O Estado de S.Paulo

12 Setembro 2011 | 00h00

CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES

Sergio Schoklender, ex-braço-direito de Hebe de Bonafini, líder das Mães da Praça de Maio, comparecerá nesta quinta-feira à Câmara de Deputados para dar detalhes sobre suas denúncias do suposto uso indevido de fundos por parte da histórica organização de defesa dos direitos humanos.

Entre esses usos indevidos está o fornecimento de dinheiro para campanhas eleitorais do governo da presidente argentina, Cristina Kirchner.

Líderes da oposição, como Ricardo Alfonsín, deputado e candidato presidencial da União Cívica Radical (UCR), consideram que o governo Kirchner sabia dos desvios das verbas e participou dos atos ilícitos, já que as Mães são aliadas de Cristina. "Houve cumplicidade ou pelo menos negligência", disse Alfonsín neste fim de semana. A oposição pretende criar uma comissão de inquérito sobre o caso.

A ida de Schoklender ao Parlamento coincide nesta semana com a reativação do processo realizado pelo juiz federal Norberto Oyarbide, que investiga o caso das Mães, que passou a ser chamado, ironicamente, de "madresgate". Além disso, a presença de Schoklender ocorrerá na reta final da campanha para as eleições de 23 de outubro.

Schoklender era o diretor da Fundação Sonhos Compartilhados, pertencente à organização das Mães, que controlava quase US$ 200 milhões fornecidos pelo governo Kirchner para a construção de casas populares. Outros US$ 100 milhões estavam a ponto de ser entregues em junho, quando o escândalo veio à tona. Na mesma época a Justiça descobriu que Schoklender era dono de vários iates, carros de luxo e mansões. Ele também é suspeito de lavagem de dinheiro.

Schoklender, acusado de matar a mãe e o pai no início dos anos 80, saiu da prisão - onde se formou advogado - na década de 90. Na ocasião, tornou-se o protegido de Hebe de Bonafini, que o levou para sua organização.

Nos últimos anos Schoklender também se tornou habitué da Casa Rosada, o palácio presidencial, e reunia-se com frequência com membros do governo. No entanto, o governo e Hebe o apontam atualmente como "traidor". Schoklender retruca e sustenta que o governo está tentando descarregar todo o escândalo em cima de suas costas. Ele sustenta que o governo quer que ele sente no banco dos réus para "salvar as Mães a qualquer preço". Segundo ele, o chefe do gabinete de ministros, Aníbal Fernández, pressiona a Justiça para empurrar o caso para depois das eleições presidenciais de outubro. C

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.