Congresso Nacional Africano rejeita intervenção no Zimbábue

Partido governante da África do Sul diz que qualquer ação externa 'somente agravará a crise'

The New York Times,

24 de junho de 2008 | 16h35

Apesar das críticas crescentes da comunidade internacional que apontam que o segundo turno da eleição presidencial do Zimbábue não será livre ou justo, o Congresso Nacional Africano (CNA), partido que governa a África do Sul, rejeitou qualquer intervenção diplomática externa no Zimbábue, alegando que "qualquer tentativa externa para impor uma mudança no regime somente agravará a crise."  Veja também:Mugabe ignora pressão por adiamento de eleiçõesTsvangirai obtém garantia para sair de embaixadaTsvangirai: de líder sindical a inimigo do regime O CNA alertou contra uma intervenção internacional depois do Conselho de Segurança da ONU tomar sua primeira ação diante da crise, divulgando um comunicado condenando a ampla campanha de violência no país e pedindo que o governo local liberte os presos políticos e permita que a oposição reúna seus partidários. Mas muitos consideram que a África do Sul, potência da região, deva ter um papel central no restabelecimento da paz no vizinho Zimbábue. Enquanto o CNA aparece com a forte condenação não usual contra o governo zimbabuano, dizendo que "caminha-se com arrogância nos direitos democráticos duramente conseguidos" pelo povo, o partido também evocou a história colonial do Zimbábue e insistiu que estrangeiros não tem nenhum papel a desempenhar para o término da crise. "Sempre foi, e continuará sendo a visão de nosso movimento que os desafios que o Zimbábue enfrenta somente poderão ser resolvidos pelos próprios zimbabuanos", disse a legenda, em comunicado. "Nada aconteceu nos últimos meses que tenha nos persuadido a revisar esta visão." No que parece ser uma clara repreensão aos esforços das nações ocidentais para criar uma posição agressiva contra o governo do Zimbábue, o CNA incluiu uma extensa crítica ao "poder arbitrário e volúvel" manifestado pelos antigos colonizadores africanos e citou o subseqüente esforço das nações africanas para assegurar os recentes direitos e liberdade. "Nenhum poder colonial na África, muito menos o Reino Unido em suas colônias em Rodésia, demonstraram respeito a estes princípios", disse o CNA, referindo-se ao Zimbábue antes de sua independência.  O comunicado ainda reflete a crescente frustração com o presidente zimbabuano, Robert Mugabe. Em meio aos protestos externos no tratamento da crise pelo seu governo, Mugabe disse que estaria aberto a um diálogo com a oposição, mas somente após vencer as eleições. Seu rival Morgan Tsvangirai se retirou do segundo turno, marcado para sexta-feira, devido à onda de violência e intimidação que seu partido e militantes enfrentam.

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