Pablo Martinez Monsivais/AP
Pablo Martinez Monsivais/AP

Congresso ordena que Casa Branca entregue documentos sobre impeachment

Democratas destacaram que já tinham solicitado a colaboração voluntária da presidência no dia 9 de setembro, e voltaram a fazê-lo em 24 de setembro, sem obter qualquer resposta

Redação, O Estado de S.Paulo

04 de outubro de 2019 | 21h21

WASHINGTON - Os democratas no Congresso dos Estados Unidos encarregados do processo de impeachment do presidente Donald Trump ordenaram nesta sexta-feira a Casa Branca a entregar documentos envolvendo o caso, e estabeleceram um prazo até 18 de outubro, informaram as comissões encarregados.

"A Casa Branca se nega a colaborar e, inclusive, a responder às múltiplas solicitações de documentos dos nossos comitês de forma voluntária".

"Após quase um mês de táticas de bloqueio, parece claro que o presidente escolheu o caminho do desafio, da obstrução e do encobrimento ", escreveram os presidentes das comissões de Inteligência, Adam Schiff; Relações Externas, Eliot Engel; e Supervisão, Elijah Cummings.

"Lamentamos profundamente que o presidente Trump tenha nos colocado e a nação nesta posição, mas suas ações não nos deixam outra opção que emitir esta citação."

Schiff, Eliot Engel e Cummings destacaram ter solicitado a colaboração voluntária da Casa Branca no dia 9 de setembro, e que voltaram a fazê-lo em 24 de setembro, sem obter qualquer resposta.

Tática para desacelerar inquérito

Em uma nova tática para tentar desacelerar o inquérito de impeachment aberto contra Trump, a Casa Branca planeja argumentar que a presidente da Câmara dos Deputados, a democrata Nancy Pelosi, precisa da aprovação dos deputados em uma votação no plenário para instalar formalmente a investigação. 

Segundo fontes citadas pela agência Reuters, sem essa votação, advogados da presidência acreditam que Trump pode ignorar as solicitações dos congressistas, o que significaria que os tribunais teriam de tomar uma decisão e poderiam frear a tramitação do impeachment.

Uma carta da Casa Branca argumentando que Pelosi precisa convocar uma votação na Câmara dos Deputados deveria ser enviada ao Congresso. O entrave coincidira com os planos da Comissão de Inteligência, de emitir mais intimações nos próximos dias, enquanto prossegue com a investigação sobre Trump.

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A manobra vem no fim de uma semana turbulenta para o presidente, que atacou democratas, repórteres e qualquer um que surgisse no caminho para se queixar de que está sendo acusado injustamente e garantir que não fez nada de errado.

Os democratas querem provar que Trump buscou uma vantagem política pessoal ao pedir ao presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, durante um telefonema de 25 de julho, para que ele investigasse Joe Biden e seu filho, Hunter, que integrava o conselho de administração de uma empresa de gás da Ucrânia. Biden lidera a maioria das pesquisas presidenciais e é um dos adversários mais temidos pelo presidente.

De olhos nos documentos do vice

Ainda nesta sexta-feira, os democratas ameaçaram intimar o vice-presidente, Mike Pence, a entregar documentos relacionados à conversa entre Trump e Zelenski. Em carta, Schiff deu prazo até dia 15 para que o vice de Trump entregue os documentos. 

Katie Waldman, porta-voz de Pence, criticou os democratas. “O pedido não parece sério. É uma outra tentativa de os democratas chamarem a atenção para o impeachment”, disse Katie. “Apesar dos esforços para atrapalhar nossa agenda, o governo continua focado em criar empregos, dar segurança à fronteira e negociar acordos comerciais melhores, coisas que são mais importantes para a população.”

Quem também recebeu intimações para entregar documentos foi Mick Mulvaney, chefe de gabinete da Casa Branca. Ele se junta, portanto, a Pence e ao secretário de Estado, Mike Pompeo. Ao contrário dos republicanos, os democratas pretendem acelerar o processo de impeachment e dizem que, se os documentos não forem enviados, eles pretendem caracterizar a violação como “obstrução de Justiça”. / NYT, WP, AFP, AP e REUTERS

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