Congresso pode reprovar indicado de Bush

O candidato da nova administração Bush para as Nações Unidas, John Negroponte, corre o risco de ser reprovado pelo Congresso, onde muitos o criticam pelo papel que desempenhou nos conflitos na América Central durante os anos 80. Negroponte, um diplomata que dedicou 37 anos de seus serviços no exterior aos EUA, é suspeito de ter trabalhado para os serviços secretos para armar os guerrilheiros de ultradireita, os "contras" nicaragüenses, entre 1981 e 1985, quando era embaixador em Honduras. Segundo o jornal Los Angeles Times, teme-se que Negroponte tenha incentivado e coordenado a formação dos esquadrões da morte solicitados pela Agência Central de Inteligência (CIA). Até seu último depoimento perante o Congresso, em 1993, o diplomata sempre negou seu envolvimento nessas operações e desmentiu as denúncias de que foi alvo. Mas nos últimos anos sua palavra foi posta em dúvida por documentos e testemunhos de ex-membros dos esquadrões da morte hondurenhos. Tais dúvidas cresceram após a imprevista deportação de ex-membros de um destes esquadrões, o chamado Batalhão 3-16, cujos elementos viviam até poucas semanas atrás nos EUA e no Canadá. O Los Angeles Times informou que vários senadores democratas pretendem divulgar documentos que deram margem às suspeitas que pesam sobre Negroponte. Além disso, eles pretendem lutar durante o debate contra sua designação como embaixador dos EUA perante a ONU - cargo para o qual, como no caso de qualquer outro embaixador, é exigida sua aprovação pelo Congresso. Nascido na Grã-Bretanha, Negroponte fez parte da comissão dos EUA que, nas conversações de Paris, pôs fim à guerra do Vietnã. Entre 1987 e 1989, foi o número dois do Conselho de Segurança Nacional, quando o número um desse mesmo conselho era o atual secretário de Estado, Colin Powell. Em 1997, Negroponte deixou a vida pública para ocupar uma vice-presidência na gigante editorial McGraw Hill.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.