Congresso reforçará sanções se Irã não cumprir acordo

Os legisladores norte-americanos de ambos os partidos afirmaram neste domingo que eles estão céticos sobre o cumprimento do acordo nuclear pelo Irã e disseram que o Congresso deve se preparar para reforçar as penalidades econômicas sobre os iranianos caso o acordo não seja cumprido.

AE, Agência Estado

25 de novembro de 2013 | 05h57

O senador democrata e presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado dos Estados Unidos, Robert Menedez, afirmou neste domingo que planejaria um novo pacote de sanções caso o Irã violasse o acordo provisório.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, convenceu a liderança do Senado a adiar a medida enquanto os negociadores perseguiam um acordo. O líder democrata no Senado Harry Reid concordou com o pedido, mas disse que novas sanções seriam anunciadas em dezembro.

O senador Chuck Schumer disse que estava desapontado com o acordo, o qual classificou como "desproporcional".

"Este acordo torna mais provável que os democratas e os republicanos se unirão e anunciarão sanções adicionais em dezembro", afirmou Schumer.

Os senadores estão considerando implementar sanções adicionais que deixariam o Irã em piores condições econômicas caso o país não cumprisse o acordo estabelecido neste domingo.

" O Congresso vai querer deixar claro que se o Irã não cumprir o acordo, não reaplicará as mesmas sanções. O objetivo é criar um pacote de sanções mais fortes contra o país", disse o senador democrata Ben Cardin. "Agora há uma necessidade ainda mais urgente de o Congresso aumentar as sanções até que o Irã abandone completamente o seu programa nuclear", completou o senador republicano Marco Rubio.

Na Câmara, a postura parece ser a mesma. Para o deputado democrata Steny Hoyer, a ameaça de sanções mais rígidas poderia ajudar a manter os diplomatas iranianos na mesa de negociações para impedir que o país produzisse uma arma nuclear.

"É conveniente que esperemos seis meses para dizer a eles que é necessário um acordo final. Se eles não aceitarem o acordo final, aplicaremos as sanções mais duras", explicou Hoyer.

A profunda desconfiança sobre o Irã ganhou espaço nas conversas deste domingo. "Precisamos ter muito cuidado com os iranianos", disse o deputado democrata Eliot Engel. "Eu não confio neles e não acho que devamos confiar neles. As sanções devem ser mantidas porque foram elas que trouxeram os iranianos para a mesa de negociação", completou.

O líder republicano da Câmara, John Boehner, também considerou que a suspensão das atividades nucleares pelo Iraq por seis meses devem ser encaradas com um ceticismo saudável.

Na madrugada deste domingo, o Irã fechou um acordo histórico com os Estados Unidos e outras cinco potências mundiais, aceitando congelar temporariamente seu programa de enriquecimento de urânio. É o avanço mais significativo das negociações entre Washington e Teerã em mais de três décadas de estranhamento.

O presidente iraniano, Hassan Rohani, endossou o acordo, que implica na suspensão das atividades nucleares por seis meses em troca de alívio limitado e gradual das sanções, incluindo o acesso aos US$ 4,2 bilhões gerados pelas vendas de petróleo. O período de seis meses dará aos diplomatas tempo para negociar um pacto mais abrangente.

A decisão resulta do diálogo público aberto no encontro anual da Organização das Nações Unidas (ONU) em setembro, durante o qual o presidente norte-americano, Barack Obama, teve uma conversa de 15 minutos por telefone com Rohani, eleito em junho deste ano. Fonte: Dow Jones Newswires.

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