Congresso resiste a novas nomeações de Obama

Presidente tenta driblar insatisfação de parlamentares para montar novo gabinete e substituir secretários como Hillary Clinton e Timothy Geithner

DENISE CHRISPIM MARIN, CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

21 de novembro de 2012 | 02h06

Retornando hoje de seu giro pelo Sudeste da Ásia, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, enfrentará em Washington a difícil escolha do sucessor de Hillary Clinton no comando do Departamento de Estado. Sua insistência na indicação de Susan Rice, embaixadora americana nas Nações Unidas, o envolverá em um novo confronto com o Congresso - somando-se ao desgastante debate sobre o ajuste nas contas públicas, a ser concluído até o fim do ano.

Obama deverá compor os outros 14 postos de secretário de governo, entre os quais o do Tesouro, e pelo menos outras 9 posições-chave de seu gabinete. Ainda terá de encontrar um substituto para o general David Petraeus capaz de recuperar a credibilidade do comando da principal agência de inteligência dos EUA, a CIA. Os nomes têm de ser aprovados pelo plenário do Senado antes de 21 de janeiro, quando Obama tomará posse para seu segundo mandato.

A tarefa não será fácil, a começar com a sucessão de Hillary. A preparada Susan Rice, de 48 anos, viu sua imagem desmoronar depois de ter declarado em cinco programas de televisão, na manhã de 16 de setembro, que a violenta invasão do consulado americano em Benghazi, em 11 de setembro, não tinha sido um ato de terror, mas uma ação espontânea de manifestantes. O ataque terminou com a morte do embaixador dos EUA na Líbia, Christopher Stevens.

Rice fora escalada pela Casa Branca para apresentar uma versão oficial mais morna dos acontecimentos que culminaram no assassinato de Stevens e outros três funcionários do Departamento de Estado. A conclusão de que toda a ação foi um ataque terrorista planejado a desabonou diante de setores mais conservadores do Congresso. A resistência dos parlamentares é uma barreira fundamental, já que eles compõem a instância à qual o chefe da diplomacia frequentemente tem de recorrer para conseguir recursos.

No dia 19, 97 congressistas do Partido Republicano assinaram uma carta a Obama na qual expressaram sua "profunda preocupação" com a possibilidade de nomeação de Rice. Ela teria, no julgamento dos antigos aliados do governo de George W. Bush, propagado uma versão falsa sobre o episódio de Benghazi e causado um "estrago irreparável em sua credibilidade". Os senadores republicanos John McCain e Lindsey Graham têm sido os mais destacados opositores à designação de Rice. Obama, no dia 14, saiu em socorro de sua embaixadora.

"Se o senador McCain e o senador Graham e outros querem culpar alguém, que seja a mim. O fato de eles culparem a embaixadora nas Nações Unidas, que não tem nada a ver com Benghazi, e mancharem sua reputação é ultrajante", afirmou.

Não há muitas alternativas para Obama ao nome de Rice. O senador John Kerry, presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado e autor do principal discurso sobre política internacional na convenção do Partido Democrata deste ano, queria o cargo. Mas a Casa Branca já vazou o interesse em vê-lo no comando do Pentágono, em substituição a Leon Panetta. Nada impede nova mudança de peças. Eric Holder, poderoso procurador-geral, seria outra opção, mas seu nome é tão controvertido no Congresso quanto o de Rice.

Algumas escolhas parecem mais assentadas, embora ainda não tenham sido oficialmente anunciadas. Para outro cargo-chave do governo, o Departamento do Tesouro, Obama deverá apontar Jacob Lew, atual chefe de gabinete da Casa Branca (posição similar à de ministro da Casa Civil, no Brasil). Timothy Geithner espera há mais de dois anos um sinal verde para deixar o Tesouro, mas sua demissão não foi aceita por causa da dificuldade de o governo ver aprovado no Congresso seu sucessor.

Para o posto de Holder, Obama deve escalar Janet Napolitano, atual secretária de Segurança Interna. Também já é conhecida a escolha de Valerie Jarrett, amiga e atual conselheira de Obama, para a chefia de gabinete. Para o lugar do general Petraeus, envolvido em um caso extraconjugal que causou sua renúncia, a opção seria John Brennan, hoje conselheiro do presidente para questões de contraterrorismo.

Obama ainda terá de nomear os líderes de outros 12 postos de primeiro escalão. A maioria deles se encontrará com o presidente apenas nas raras reuniões de gabinete. Entre os privilegiados pelo contato direto com Obama estarão o secretário de Segurança Interna, responsável por administrar 22 agências, o de Comércio, cargo vago desde junho apesar de ser considerado essencial na estratégia de gerar empregos, e o de Energia, que já teve a maior parte de suas responsabilidades transferidas para o Departamento de Interior. Ainda não há sinais claros de quem ocupará essas posições.

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