Congresso restitui 57 deputados opositores no Equador

O presidente do Congresso do Equador aceitou nesta quarta-feira, 28, a decisão judicial que devolveu o cargo a 57 congressistas da oposição que haviam sido destituídos este mês por obstruir os planos do presidente Rafael Correa de reformar a Constituição. A decisão do parlamentar Jorge Cevallos, também líder da oposição, de aceitar a decisão de um juiz da província de Guayas causou confusão no Parlamento e alimentou as tensões entre a oposição e Correa. A decisão de Cevallos pode ter vida curta, já que a corte constitucional deve tomar uma decisão final sobre o caso esta semana. Com a chegada dos suplentes dos parlamentares, Correa havia obtido uma maioria por margem estreita. "Tenho de aceitar a decisão do juiz de Guayas", disse Cevallos ao Congresso, recebendo em resposta gritos de "traidor" por parte dos suplentes dos parlamentares. O próprio presidente do Congresso havia dado posse aos novos parlamentares e permitido que houvesse sessão sem os congressistas expulsos. Correa e a oposição estão numa disputa de poder por causa da reforma da Constituição, que pretende reduzir a influência de líderes partidários que muitos equatorianos culpam pela instabilidade política do país. Há apenas dois meses na Presidência, o esquerdista Correa já entrou em choque várias vezes com a oposição, a quem chama de elites corruptas. Ele alega que suas reformas constitucionais vão atender melhor as necessidades dos pobres. Os equatorianos vão votar num referendo em abril para decidir se convocam ou não a assembléia constituinte. Os adversários de Correa temem que ele use a reforma na Constituição para enfraquecer o Legislativo e reforçar os poderes presidenciais, nos moldes do que fez o presidente venezuelano, Hugo Chávez.

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