AP Photo/Manuel Balce Ceneta
AP Photo/Manuel Balce Ceneta

Congresso volta e tenta anular legado de Obama

Nova legislatura assume hoje com domínio republicano e deve alterar marcos do presidente, como sistema de saúde e regulação financeira

O Estado de S. Paulo

03 Janeiro 2017 | 05h00

WASHINGTON - Senadores e deputados eleitos tomam posse nesta terça-feira, 3, nos EUA. Na retomada dos trabalhos legislativos, os republicanos, que controlam as duas Casas, começam a implementar sua agenda conservadora. O objetivo é abolir regulações financeiras, cortar impostos para empresas, acabar com o financiamento da ONG Planned Parenthood (rede de clínicas de aborto) e desmontar a reforma do sistema de saúde, o Obamacare.

A agenda republicana será o mais ambicioso programa político conservador desde os anos 20. A onda conservadora teria chegado antes não fosse um obstáculo: o presidente democrata Barack Obama, cujo mandato tem os dias contados. Agora, os republicanos contam com o aval de Donald Trump, que tomará posse no dia 20 e parece disposto a transformar todas as medidas em lei.

A dinâmica reflete como o Congresso está disposto a realizar uma mudança conservadora do governo e como o estilo imprevisível e extravagante de Donald Trump não importa muito para o projeto do partido.

Praticamente a agenda inteira já estava aprovada, promovida e esmiuçada por republicanos e grupos de estudos que se dirigem à Casa Branca menos em busca de liderança e mais para as chancelas formais.

Em 2012, os americanos favoráveis à reforma fiscal descreveram o presidente ideal como “um republicano com dedos suficientes para segurar uma caneta e assinar leis que já foram elaboradas”. Em 2015, os republicanos do Senado utilizaram manobras processuais para tentar superar a obstrução democrata e votar contra o Obamacare, mas pararam no esforço de Obama para preservar seu legado. 

Como disse o grupo conservador Heritage Action, o processo foi “um ensaio para 2017, quando provavelmente teremos um presidente pronto para assinar uma completa revogação das leis”.

“Há um ano, disse às nossas comissões o seguinte: vamos supor que vocês conquistem a Casa Branca e o Congresso. Em 2018, o que desejaram foi cumprido?”, disse o presidente da Câmara dos Deputados, o republicano Paul Ryan, em uma entrevista para a CNBC, no mês passado. 

Poucos candidatos presidenciais dominaram a cobertura de uma eleição como Donald Trump em 2016. No período final da campanha, os candidatos republicanos, com frequência, receberam bem menos atenção por seu trabalho no Congresso e muito mais por suas posições sobre as controvertidas declarações de Trump.

A agenda dos republicanos no Senado e na Câmara tem a clareza que faltou com frequência à campanha de Trump. A meta é revogar o Obamacare e grande parte da reforma financeira prevista na Lei Dodd-Frank de 2010, aprovada após a crise de 2008. “Gostaria de revogar tudo”, disse o presidente da Comissão de Bancos do Senado, o republicano Richard. / WASHINGTON POST

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