Washington Post photo byJabin Botsford
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Conheça algumas das opções de governo após as eleições de Israel

O próximo governo israelense não dependerá apenas da maioria dos votos, mas sim da capacidade dos candidatos de formar alianças e alcançar uma maioria simples de 61 cadeiras

Redação, O Estado de S.Paulo

09 de abril de 2019 | 16h32

Vence o Likud e Netanyahu governa 

Entre os cenários mais prováveis está o Likud saindo como partido mais votado e Netanyahu formando uma coalizão de governo, segundo o professor de Ciências Políticas da Universidade de Bar Illan, Jonathan Rynhold. "Se ele formar uma coalizão de partidos de direita com ultraortodoxos para somar ao menos 61 cadeiras, poderíamos esperar um governo com aspecto similar ao que temos agora", indica Rynhold. 

Espera-se que haja um maior número de partidos representados no Knesset, o Parlamento israelense, do que atualmente, o que poderia fazer com que a coalizão de governo resultante fosse mais dependente das pequenas formações. 

Segundo Samuel Sandler, pesquisador no Centro Begin-Sadat de Estudos Estratégicos, nesse caso, seria mais complexo conciliar posições contraditórias como no caso da entrada de partidos mais seculares em coalizões com forças ultraortodoxas. 

Vence o Azul e Branco e governa Gantz com coalizão de centro-esquerda 

Esta seria uma opção altamente improvável, segundo os analistas, porque teria de contar também com a aliança de algum partido de direita ou religioso. Espera-se que as formações de direita se unam a uma coalizão liderada por Netanyahu, enquanto os ultraortodoxos são reticentes a aliar-se com Gantz pelo secularismo de seu companheiro de campanha Yair Lapid. 

Além disso, Gantz afirmou que não fará pacto com os partidos árabes, que poderiam permitir alcançar uma coalizão. 

Vence o Azul e Branco e governa com o Likud, mas sem Netanyahu 

Outra possibilidade é a criação de uma coalizão liderada pelo Azul e Branco que inclua o Likud, mas sem Netanyahu, segundo Rynhold. 

Isso se deve ao fato de que Gantz assegurou que não governará com Netanyahu enquanto ele estiver sob a "sombra da corrupção", após uma anunciada acusação do Ministério Público de fraude, suborno e abuso de confiança contra o premiê. 

Netanyahu faz pacto com Azul e Branco 

Para o professor da Bar Ilan há outro possível resultado, ainda que menos provável: "Netanyahu lidera uma coalizão com Azul e Branco, mais centrista. Mas qualquer coalizão liderada por ele corre o risco de não durar mais de um ano porque ele ainda está tentando apelar contra sua acusação", anunciada pelo procurador-geral em fevereiro e está pendente de um pedido de vista para se tornar formal. 

No entanto, no caso de a acusação seguir adiante, é improvável que uma maioria no Knesset queira governar com ele. 

Paralisação, criação de um governo rotativo 

Há outra possibilidade, de acordo com o jornalista Anshel Pfeffer, do Haaretz: "As negociações pós-eleições - para as quais inicialmente está previsto um prazo de 45 dias com a possibilidade de ampliação de mais duas semanas - podem terminar infrutíferas, ficarem paralisadas e nenhum candidato ser capaz de formar uma coalizão".

Em 1984, Yitzak Shamir, do Likud, e Simón Peres, líder trabalhista, salvaram essa situação com um acordo de rotatividade em um governo de unidade nacional. Diante desse futuro incerto, o fator-chave de uma futura coalizão poderia ser que alguns partidos, tanto de direita como de esquerda, não superem a cláusula de barreira de 3,25% dos votos para entrar no Parlamento, o que inclinaria a balança para um ou outro bloco. / EFE 

 

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