Enrique Castro-Mendivil/Reuters
Enrique Castro-Mendivil/Reuters

Conheça casos de corrupção da era Kirchner na Argentina

Desde 2003, o casal Néstor e Cristina Kirchner tem o nome envolvido em escândalos

Ariel Palacios, correspondente em Buenos Aires,

22 de abril de 2013 | 16h40

BUENOS AIRES - A capital argentina, Buenos Aires, foi cenário na quinta-feira 18 do maior panelaço contra o governo da presidente Cristina Kirchner em sete meses. O protesto - o terceiro nesse período - contou, pela primeira vez, com a participação de partidos opositores.

Na variada lista de reclamações estavam o pedido de combate à crescente criminalidade, o uso ostensivo por parte do governo da rede nacional de rádio e TV e da publicidade oficial e os escândalos de corrupção que envolvem empresários amigos do casal Kirchner.

Veja abaixo uma lista de casos de corrupção que estouraram na era Kircher:

Fundos de Santa Cruz (desde 2003): Nos anos 90 o então governador de Santa Cruz, Néstor Kirchner, enviou US$ 500 milhões para o exterior. Com o dinheiro fora do país, a província salvou-se do "corralito" (confisco bancário) de 2001 e a crise financeira de 2002. Kirchner prometeu que, quando fosse eleito presidente, o dinheiro voltaria ao país. Ele tomou posse em 2003. Mas os fundos somente voltaram entre 2007 e 2009. A oposição afirma que existem outros US$ 500 milhões em juros sobre os quais nada se fala e que não voltaram ao país.

Caso Skanska (2005): Escândalo que envolve empreiteiras argentinas e estrangeiras, entre elas a sueca Skanska, no superfaturamento das obras de dois mega-gasodutos no sul e norte da Argentina. O principal suspeito do affaire é o Ministro do Planejamento Julio De Vido. As denúncias indicam subornos pelo valor de US$ 5 milhões.

Trem-bala (2006): A Oposição acusa os Kirchners de graves irregularidades no contrato que o governo assinou com a empresa francesa Alstom para a construção do controvertido trem-bala argentino. O governo dizia que o custo da obra seria de 2,5 bilhões de euros. Mas, a Oposição afirmava que os contratos, da forma como foram elaborados, implicariam em um custo três vezes superior ao orçamento oficial. O projeto foi suspenso.

Caso da Mala (2007): Suposto envio de fundos de Chávez para a campanha eleitoral de Cristina Kirchner em 2007. Existem pistas sobre o envio de pelo menos US$ 5 milhões.

Enriquecimento ilícito (desde 2008): A oposição, advogados independentes e a mídia acusam os Kirchners de enriquecimento ilícito. Eles afirmam que o crescimento de mais de 1.000% do patrimônio presidencial desde 2003 não tem justificativas contábeis lógicas. A presidente Cristina argumenta que seu enriquecimento deve-se aos investimentos em imóveis o fato de ter sido "uma advogada de sucesso".

Embaixada paralela (2010): O ex-embaixador argentino em Caracas, Eduardo Sadous, denunciou na Justiça que integrantes do governo da Venezuela e da Argentina durante vários anos exigiram a empresários exportadores de ambos países o pagamento de propinas de 15% a 20% para não causar obstáculos em suas operações de comércio bilateral. Segundo o ex-embaixador as pessoas envolvidas na exigência da propina referiam-se a ela como um "pedágio".

Caso Ciccone (2011): A Companhia Sul-Americana de Valores, a ex-Ciccone, tornou-se o foco do escândalo em dezembro passado quando investigações jornalísticas, posteriormente aprofundadas pela Justiça, revelaram pistas que indicariam que o vice-presidente Amado Boudou teria favorecido amigos seus na compra da gráfica, que há poucos anos estava a ponto de falir. Depois, Boudou teria ajudado os amigos a obter o contrato de impressão de notas de 100 pesos. Boudou tornou-se suspeito de enriquecimento ilícito, lavagem de dinheiro e negociações incompatíveis com a figura de funcionário público.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.