NBC News/AP
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Conheça Kristen Welker, a mediadora do último debate presidencial nos EUA

Jornalista da NBC é a primeira mulher negra a comandar o evento desde 1992; Trump a acusa de ser "uma democrata de esquerda radical"

Redação, O Estado de S.Paulo

22 de outubro de 2020 | 16h53

Uma missão ingrata: a jornalista da NBC Kristen Welker será responsável por moderar o segundo e último debate entre Donald Trump e Joe Biden, nesta quinta-feira, 22, embora seja acusada pelo presidente republicano e sua equipe de ser pró-democrata.

"Kristen Welker é uma democrata de esquerda radical", disse Trump durante um comício em Phoenix, no estado do Arizona, na segunda-feira. "Há muito tempo que vem me gritando perguntas e ela não é boa", acrescentou o presidente.

Na terça-feira, Trump voltou ao ataque, destacando que os pais da jornalista que cobre a Casa Branca desde 2011 - e que será a primeira mulher negra a comandar um debate presidencial desde 1992 - são democratas fervorosos.

Em janeiro, Trump, no entanto, parabenizou Welker por sua indicação para ser co-ancora do programa matinal do fim de semana da emissora NBC.

“Eles tomaram uma decisão muito sábia”, disse na época Trump. A jornalista, nascida na Filadélfia, reagiu imediatamente ao elogio pedindo uma entrevista ao presidente, mas nunca foi atendida.

Welker atualmente não tem afiliação política e nunca fez uma doação a um partido, embora em 2012 ela tenha se registrado como democrata.

A jornalista de 44 anos terá a missão de substituir o veterano Steve Scully, escolhido para ser o moderador do segundo debate presidencial, que estava agendado para 15 de outubro. Mas o duelo entre os candidatos à presidência foi cancelado quando Trump, então doente com covid-19, se recusou a aceitar um formato virtual.

Scully foi posteriormente suspenso pela emissora C-SPAN depois de mentir sobre um tuíte vinculado ao presidente, o  que deu a Trump, acostumado a atacar a imprensa, uma nova oportunidade para colocar em dúvida abertamente a suposta parcialidade da mídia.

Trump questiona Welker por ela ter desativado sua própria conta no Twitter após os polêmicos tuítes de Scully, que afirmou ter tido a conta hackeada (o que era falso, como o jornalista admitiu posteriormente).

A NBC explicou que a desativação da conta de Welker foi temporária e por razões de segurança, para não ocultar qualquer coisa que ele possa ter escrito no passado.

Acostumada a entrevistas políticas, a jornalista conhecida por suas perguntas incisivas e tom calmo sucede Chris Wallace, oprimido pelas repetidas interrupções de Trump quando tentava mediar o primeiro debate presidencial, em 29 de setembro, que se transformou em uma luta caótica pela palavra.

Desta vez, Welker terá o poder de silenciar o microfone do candidato que não tiver oficialmente a palavra, o que facilitará a tarefa da moderadora na Belmont University em Nashville, no estado de Tennessee, onde ocorrerá o debate.

A jornalista, famosa por sua ética de trabalho, escolheu os seis principais temas do debate, em conformidade com a tradição. Os candidatos presidenciais debaterão sobre a luta contra o coronavírus, as famílias americanas, a questão racial, as mudanças climáticas e a segurança nacional.

"Eu disse a ela para ser ela mesma", revelou a mãe da jornalista, Julie Welker, ao jornal local Philadelphia Tribune. "Ela é uma jornalista formidável. Seu objetivo é que a verdade seja conhecida e contada. E ela será muito justa em seu gerenciamento do debate." /AFP

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