Conheça o arsenal de mísseis norte-coreano

País tem mais de mil projéteis, sendo 800 deles balísticos, e exporta tecnologia para diversas nações

Reuters,

13 de março de 2009 | 16h42

A Coreia do Norte tem mais de mil mísseis, sendo 800 deles balísticos, e vende projéteis e tecnologia ultramar para diversos países, entre eles o Irã, que é um dos seus grandes compradores. Entre o arsenal, há 600 mísseis de curto alcance e 200 Rodong. Pyongyang iniciou seu programa de mísseis em cooperação com a ex-União Soviética no começo da década de 1960. A Coreia do Norte acabou obtendo mísseis soviéticos Scud-B. Há consenso de que eles vieram do Egito, entre 1976 e 1981. Em meados da década de 1970, Pequim e Pyongyang cooperaram no desenvolvimento de um míssil balístico com 600 quilômetros de alcance.

 

 

linkCURTO ALCANCE (SCUD)

 

A Coreia do Norte possui uma grande variedade de mísseis de curto alcance. O KN-02 é o mais preciso, porém o de menor distância percorrida mas suficiente para atingir alvos cruciais da Coreia do Sul, como bases militares na fronteira. Eles podem percorrer de 100 a 200 quilômetros.

 

Os mísseis tipo Scud incluem o Hwasong-5, com alcance de cerca de 300 quilômetros, e o Hwasong-6, com alcance de cerca de 500 quilômetros. Acredita-se que o Scud-D atinja alvos numa distância de até 700 quilômetros. Todos eles foram testados e podem atingir qualquer área na Coreia do Sul.

 

MÍSSIL NODONG

 

O Nodong, testado pela primeira vez em 1993 e colocado em operação em 1998, atinge alvos entre mil e 1,4 mil quilômetros de distância. Ele seria capaz de alcançar grande parte do território do Japão, mas sem precisão, o que em caso de guerra poderia provocar um grande número de vítimas civis.

 

linkLONGO ALCANCE: MÍSSEIS TAEPODONG

 

O Taepodong-1 é um míssil com dois estágios, incluindo partes do Nodong e do Scud, e pode alcançar uma distância de até 2.200 km. A Coreia do Norte testou o projétil em 1998, atingindo o norte do Japão. Na ocasião, Pyongyang afirmou ter colocado um satélite em órbita. A base americana em Okinawa, no Japão, está no alcance do armamento, porém o míssil precisa ser lançado de uma posição fixa e tem um grande tempo de preparação, o que significa que potenciais lançamentos podem ser detectados.

 

Já o Taepodong-2 é um míssil de dois ou três estágios com alcance de cerca de 6,7 mil quilômetros, o suficiente para atingir o Alasca. Suas ogivas podem carregar de 650 quilos a uma tonelada de material explosivo em sua configuração de curto alcance. Um estudo aponta que, reduzindo sua carga explosiva, o míssil pode viajar até 10 mil quilômetros. Com esse alcance, ele teoricamente pode atingir a costa oeste dos Estados Unidos. Relatos de pesquisadores dizem que o Taepodong-2 tem cerca de 35 metros de comprimento e 2,2 metros de diâmetro.

 

Ainda há uma terceira versão, o Taepodong-X. Trata-se de um míssil de combustível sólido, com alcance estimado de 2.500 a 4 mil quilômetros, capaz supostamente de atingir bases dos EUA no Japão e em Guam, mas nunca foi testado. A Coreia do Norte não tem um míssil operacional que possa atingir o território continental dos Estados Unidos, segundo muitos especialistas.

 

PROPÓSITO

 

A Coreia do Norte diz que o lançamento do Taepodong-2, realizado no início de abril, foi destinado a colocar um satélite no espaço como parte de seu programa espacial pacífico. Os EUA e a Coreia do Sul acreditam que tratou-se de um teste para o míssil, como parte dos programas de armas nucleares, químicas e biológicas norte-coreano. Os mísseis são também uma fonte de receitas para o país empobrecido, e relatórios indicam que o Irã mostrou interesse em comprar o Taepodong-2.

 

PROBLEMAS TÉCNICOS

 

O Taepodong-2 teve falhas no design, o que causou defeitos estruturais durante os voos e diminuiu seu alcance. O míssil nunca voou com sucesso. Um teste realizado em 2006 falhou quando o projétil apresentou um barulho e se destruiu após voar por 40 segundos. Acredita-se que isso ocorreu devido a um problema estrutural de propulsão ou no tanque de combustível.

 

Seria difícil localizar e destruir os KN-02, Hwasong, Rodong e Taepodong-X da Coreia do Norte, devido a sua mobilidade, quantidade e tempo relativamente curto de preparação, segundo especialistas. Mas os Taepodong-1 e 2 são feitos para serem lançados de locais fixos, que são conhecidos pelas forças norte-americanas e sul-coreanas e estão vulneráveis a ataques. As preparações para um eventual lançamento também podem ser monitoradas por satélites espiões.

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