EFE/Cristian Hernández
EFE/Cristian Hernández

Conheça os adversários de Maduro nas eleições presidenciais de 2018

Líder venezuelano disputará a presidência com o dissidente Henri Falcón, o pastor Javier Bertucci e o chavista afastado Reinado Quijada; saiba mais sobre cada um deles

O Estado de S.Paulo

28 Fevereiro 2018 | 09h19

CARACAS - O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, se apresentou formalmente na terça-feira 27 como candidato às eleições de 22 de abril, que não terão a participação dos principais líderes opositores.

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"Todos com Maduro, lealdade e futuro" foi o refrão para a aparição do presidente no palco ao lado de sua mulher, Cilia Flores, diante da sede do Poder Eleitoral em Caracas. "Estou mais pronto do que nunca para as batalhas que virão. Estou aqui porque sou um presidente do povo", afirmou ele, que dançou com Cilia no palanque diante de milhares de partidários.

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O líder venezuelano terá três rivais na campanha: o dissidente e ex-governador Henri Falcón, o pastor Javier Bertucci e o chavista afastado Reinado Quijada. Apesar de 75% de rejeição, analistas dizem que Maduro é favorito.

Henri Falcón

Militar da reserva e dissidente chavista de 56 anos, Falcón será o candidato do Movimento ao Socialismo (MAS). O partido de Falcón, Avanço Progressista, integra a opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD). O advogado foi prefeito de Iribarren e governador do Estado de Lara entre 2008 e 2017. Ligado ao movimento que levou Hugo Chávez - morto em 2013 - ao poder em 1999, rompeu com o chavismo em 2010 mediante uma carta aberta na qual denunciou ter sido afastado por denunciar os erros da chamada "revolução bolivariana".

Ao se inscrever no Conselho Nacional Eleitoral (CNE), Falcón pediu o adiamento das eleições, mas se declarou seguro de vencer Maduro, que chamou de "candidato da fome". "Exigimos a revisão do cronograma eleitoral. Acreditamos que é perfeitamente possível alterar (...) a data de 22 em função de outra que dê verdadeiras possibilidades de organização e exercício da política" para "derrotar a abstenção", declarou.

A MUD, que abandonou o pleito alegando que não há garantias e pediu a vários governos que pressionem Maduro para que haja eleições "limpas", criticou a inscrição de Falcón, que "com este passo se afasta da Unidade e do sentimento democrático do povo venezuelano", declarou um porta-voz.

Segundo o Instituto Venezuelano de Análise de Dados, Falcón tem 24% das intenções de voto, contra 18% para Maduro, mas analistas avaliam que o militar não representa um risco real diante do controle institucional e social que o governo exerce.

Javier Bertucci

O pastor evangélico pouco conhecido lançou candidatura em meados de fevereiro. “Quero tornar esta nação grande, quero trazer Jesus para esta nação, porque Jesus dignifica o coração de qualquer fiel”, disse ele, da organização religiosa O Evangelho Muda, em uma transmissão realizada pela internet.

Bertucci não tem experiência política conhecida ou grande renome na Venezuela. Ele disse que a crise econômica do país - que está causando hiperinflação e escassez crônica de alimentos e remédios - pode ser resolvida “muito rapidamente”, e ressaltou que está disposto a pedir a ajuda de outros países.

“Jesus mudou a história e nós também o faremos”, disse ele em um discurso que foi aplaudido por cerca de uma centena de seguidores, alguns dos quais pareciam à beira das lágrimas. “Hoje iniciamos uma corrida que venceremos.”

Reinaldo Quijada

O candidato chavista afastado se identifica com a chamada revolução bolivariana, mas não com o governo de Maduro. O engenheiro eletrônico de 58 anos é membro do partido Unidade Popular 89.

Segundo o portal de notícias Infobae, Quijada disse, ao entregar seu projeto de governo ao CNE, que decidiu “levantar” sua voz pela “imensa desordem” que há no país. “Venho entregar um programa de governo à presidente (do CNE), Tibisay Lucena, que se chama ‘A via para sair da crise’ (...) e durante esses dois meses vamos implementá-lo no país com o objetivo de recuperar o que ele está pedindo, uma liderança diferente”, afirmou ele.

“E queremos dizer isso com muita ênfase porque o governo vem apontando que nós somos um partido de oposição. Certamente somos oposição ao governo do presidente Maduro, certamente somos oposição ao Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), mas somos oposição ao processo revolucionário”, disse Quijada. / AFP e EFE

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