Charles Platiau / Reuters
Charles Platiau / Reuters

Conheça os tesouros da Catedral de Notre-Dame

Parte das obras-primas se perdeu em saques e pilhagens que ocorreram no local durante a Revolução Francesa e nos motins de 1831; dentre as peças que restaram, estão relíquias veneradas por católicos e um órgão de notáveis dimensões

Redação, O Estado de S.Paulo

16 de abril de 2019 | 10h24

PARIS - A Catedral de Notre-Dame em Paris, parcialmente arrasada por um incêndio na segunda-feira, guarda várias relíquias veneradas por católicos, um órgão de notáveis dimensões e numerosas obras de arte.

Nos saques e pilhagens que ocorreram no local durante a Revolução Francesa e nos motins de 1831, esta joia de estilo gótico perdeu parte de suas obras-primas. Seu tesouro litúrgico, que era um dos mais ricos da França até desaparecer em 1789, foi sendo reconstruído aos poucos.

"Os colaboradores de Notre-Dame, os arquitetos do patrimônio da França, os funcionários do Ministério da Cultura foram mobilizados para orientar os bombeiros e mostrar as obras que a todo preço deveriam ser salvas", afirmou nesta terça-feira, 16, o secretário do Estado de Interior, Laurent Nuñez.

Relíquias católicas

A réplica mais valiosa guardada na Notre-Dame é a Santa Coroa, que os católicos acreditam que foi usada por Jesus pouco antes de ser crucificado. Ela é composta por um "círculo de juncos unidos por fios de ouro, com 21 centímetros de diâmetro", segundo o site da catedral.

Esta relíquia escapou das chamas, assim como a túnica de São Luís, um dos reis mais famosos da França, que também é guardada no prédio, segundo seu reitor. Além da Santa Coroa, Notre-Dame conserva outras duas relíquias da Paixão de Cristo: um pedaço da Cruz e um cravo.

Por outro lado, o galo que ficava no topo da torre que caiu na segunda-feira trazia a Coroa de Espinhos, uma relíquia de San Dionísio e outra de Santa Genoveva.

O grande órgão

Entre os três órgãos de Notre-Dame, o grande órgão, com seus cinco teclados e cerca de 8 mil tubos, é o maior destaque. Construído a partir do século 15, ele foi sendo ampliado progressivamente até alcançar seu tamanho atual no século 18. Sobreviveu à Revolução Francesa sem danos "com certeza graças à interpretação de músicas patrióticas", segundo o site da catedral.

As rosáceas

As três rosáceas da Notre-Dame de Paris, os vitrais que representam as flores do paraíso, foram construídas no século 13 e reformadas várias vezes. As rosáceas norte e sul - as maiores - têm 13 metros de diâmetro. Nelas estão representados profetas, santos, anjos, reis e cenas da vida dos santos. No centro das três rosáceas estão as imagens da Virgem Maria, do Menino Jesus e da Ascensão de Cristo.

Mais de 30 representações da Virgem Maria

A mais famosa das 37 representações da Virgem Maria que existem na catedral é uma em que ela está com o Menino Jesus que ficava na ala sudeste do templo, esculpida no século 14. Atrás do altar fica a estátua do escultor Nicolas Coustou, uma Piedade encomendada por Luís XIV seguindo o desejo de seu pai, Luís XIII.

No dia 11 de abril foram retiradas da torre da catedral que caiu na segunda-feira 16 estátuas de cobre que representam os 12 apóstolos e os quatro evangelistas para serem restauradas, e acabaram sendo salvas do incidente.

Os ‘grands Mays’

Entre 1630 e 1707, um grupo de ourives parisienses doava uma pintura à catedral todo dia 1.º de maio. Destes 76 "grands Mays", 13 estão atualmente nas diferentes capelas da nave central. No muro oeste da Capela de Saint-Guillaume fica um dos quadros mais belos do prédio, La Visitation, de Jean Jouvenet (1716), uma obra-prima do século 18.

O sino de Bourdon

Na torre sul fica o maior sino da catedral, chamado Bourdon, utilizado apenas nas grandes festas católicas e nos grandes eventos. Fundido há 300 anos, ele recebeu o nome de Emmanuel de seu padrinho, Luís XIV. Pesa 13 toneladas e seu badalo, a parte que toca nas as paredes internas do sino para produzir o som, tem 500 kg. No século 20 ele foi acionado para avisar aos parisienses sobre a libertação da capital do controle nazista, no dia 24 de agosto de 1944. / AFP

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