AP Photo/Christophe Ena
AP Photo/Christophe Ena

Conib lamenta voto do Brasil em resolução da Unesco sobre Jerusalém

Em nota, organização diz que resolução aprovada na quinta-feira com voto favorável do representante brasileiro no organismo da ONU 'procura diminuir as conexões judaicas com a cidade de Jerusalém'

O Estado de S. Paulo

14 Outubro 2016 | 13h57

A Confederação Israelita do Brasil (Conib) afirmou nesta sexta-feira, 14, que lamenta o voto da delegação brasileira na Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco) em resolução apresentada pelos palestinos que critica Israel por restringir o acesso de muçulmanos a um local sagrado em Jerusalém e se refere à área somente por seu nome muçulmano. 

"Na realidade, o texto votado hoje (ontem) procura diminuir as conexões judaicas com a cidade de Jerusalém e trata o Monte do Templo  - chamado pelos muçulmanos de Mesquita de Al-Aqsa -, onde foram erguidos dois templos judaicos na Antiguidade e o próprio Muro das Lamentações como locais, na prática, sem conexão com o judaísmo", diz nota divulgada pela Conib. O texto foi aprovado por 24 países, entre eles Brasil, Rússia e China, e rejeitado por outros 6, entre os quais EUA, Reino Unido, Alemanha e Holanda. Outros 26 países se abstiveram, incluindo a França.

"Esta resolução promove um inaceitável revisionismo histórico, negando fatos e registros abundantes do caráter judaico de tais locais", diz Fernando Lottenberg, presidente da Conib. "Ao votar a favor desse texto, o Brasil não manteve o equilíbrio que vinha adotando em relação à região."

A moção foi apresentada por países árabes que apoiam a causa palestina, entre eles Egito, Marrocos, Argélia, Líbano, Omã, Catar e Sudão. Um texto similar já havia sido aprovado em 14 de abril - também com o voto favorável do Brasil.

Mesmo considerando o texto “inadequado”, o Brasil votou a favor da resolução por estimar que ele trouxe avanços em relação ao que havia sido aprovado na última sessão do Conselho Executivo. “O reconhecimento dos laços históricos entre cristãos, judeus e muçulmanos com a Cidade Velha de Jerusalém e Belém e Hebron é um primeiro passo para uma abordagem aberta e construtiva a este tema”, diz o voto do governo brasileiro, ao qual o Estado teve acesso ainda na quinta-feira. 

A inclusão desse tema no artigo 3 da resolução foi considerada importante e vista como uma resposta às preocupações expressas pelo governo brasileiro em junho. O presidente Michel Temer chegou a ser consultado sobre o assunto pelo ministro das Relações Exteriores, José Serra.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.