AFP PHOTO / NICHOLAS KAMM
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Conivência de instituições regionais contribuiu para 'atropelo' na Venezuela, diz líder opositor

Henrique Capriles se reuniu com o secretário-geral da OEA e pediu que organização se pronuncie sobre situação após Justiça tomar poder do Congresso

Cláudia Trevisan, Correspondente / Washington, O Estado de S. Paulo

31 de março de 2017 | 17h18

WASHINGTON - Governador do Estado de Miranda e um dos principais líderes de oposição na Venezuela, Henrique Capriles acusou nesta sexta-feira, 31, instituições regionais como o Mercosul, a Unasul e a Organização dos Estados Americanos (OEA) de terem sido coniventes no passado com o "atropelo" promovido pelo chavismo. Agora, ele espera que os governos do continente condenem de maneira contundente a usurpação de poderes da Assembleia Nacional pelo Tribunal Supremo de Justiça, controlado por Nicolás Maduro.

"As instâncias internacionais têm de se pronunciar, porque as instâncias internacionais no passado foram refúgio para o atropelo do oficialismo em meu país", disse Capriles na sede da OEA, em Washington. "Houve uma ruptura da ordem constitucional, houve um golpe de Estado e a OEA tem de se pronunciar a respeito."

Na próxima segunda-feira, o Conselho Permanente da entidade se reunirá para debater a situação na Venezuela. "Há quatro anos, nós tínhamos três votos para discutir a situação do meu país. Agora nós temos 20", observou o governador, fazendo referência à votação do Conselho Permanente da terça-feira 28, na qual 20 países votaram a favor de analisar a crise venezuelana, apesar da oposição de Caracas.

Segundo Capriles, se a OEA tivesse tido uma postura menos tolerante em relação à Venezuela há quatro anos, o país não estaria mergulhado na atual turbulência institucional. Perguntado se era favorável à expulsão da Venezuela do Mercosul, ele disse que todas as organizações regionais têm cláusulas que devem ser cumpridas por seus membros. "Se o governo venezuelano não as cumpre, que venham as sanções, as consequências."

Na opinião do líder opositor, a crise na Venezuela colocou os países do continente diante de um momento decisivo, que revelará "os que estão a favor da democracia" e os que estão ao lado do "ditador e seus interesses". 

Capriles deu as declarações depois de se reunir com o secretário-geral da OEA, Luis Almagro, que no dia 14 de março defendeu a suspensão da Venezuela da organização, caso não fossem convocadas eleições no prazo de 30 dias. Na quinta-feira, Almagro anunciou a convocação urgente de uma reunião extraordinária do Conselho Permanente, que será realizada na segunda-feira. 

A expectativa da oposição venezuelana é que o encontro termine com uma "posição firme" em defesa do restabelecimento da ordem constitucional, disse Capriles. "Quanto tempo Maduro pode durar se decidir se isolar do mundo e da comunidade internacional?" O governador também espera que o Conselho Permanente dê os passos para a aplicação da Carta Democrática à Venezuela, um procedimento que envolve diferentes etapas e pode terminar com a suspensão do país da organização.

O líder opositor não vê possibilidade de avanço no âmbito do diálogo promovido por três ex-líderes de governo, entre eles o espanhol José Luis Rodríguez Zapatero. As conversas não produziram nenhum resultado e estão paralisadas desde o ano passado. "Nós não temos muito tempo", afirmou. "Com Maduro, é possível o diálogo? Dizem que não existe impossível. Isso é o mais próximo do impossível."

 

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