Erin Schaff/The New York Times
Erin Schaff/The New York Times

Conselheiro da Casa Branca depõe contra Trump e leva Câmara a encaminhar impeachment

Coronel Alexander Vindman é a primeira pessoa que esteve na sala do telefonema entre Trump e presidente da Ucrânia a depor; ele demonstrou preocupação com a conversa

Redação, O Estado de S.Paulo

29 de outubro de 2019 | 18h24

WASHINGTON - Um dos principais conselheiros do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em questões relacionadas à Ucrânia, afirmou em depoimento nesta terça-feira, 29, que ele estava tão alarmado depois de ouvir Trump pedindo ao presidente ucraniano para investigar um rival político, o democrata Joe Biden, que ele denunciou a questão a um advogado da Casa Branca sem que o departamento de Segurança Nacional soubesse.

O Tenente das Forças Armadas, Coronel Alexander Vindman, diretor de assuntos Europeus no Conselho de Segurança Nacional, depôs a portas fechadas. Seu relato levou os líderes democratas da Câmara dos Deputados dos EUA a divulgar um documento determinando os procedimentos dos próximos passos do inquérito do impeachment de Trump, após semanas de depoimentos na Câmara.

A resolução, que deve ser votada nesta semana, pede audiências públicas da Comissão de Inteligência da Casa e permite que um advogado representando Trump participe dos procedimentos na Comissão Judiciária, no painel que pode, no futuro, votar a favor de acusações formais contra o presidente dos EUA.

Caso os tópicos sejam aprovados, um julgamento será encaminhado ao Senado americano, de maioria republicana, partido de Trump, onde haverá a decisão final.

Vindman, até agora, é o primeiro oficial da Casa Branca a testemunhar no inquérito. O americano, nascido na Ucrânia e veterano da Guerra do Iraque, também é a primeira pessoa a depor que estava na sala do telefonema de 25 de julho, quando Trump conversou com o presidente ucraniano Volodmir Zelenski.

Durante a ligação, Trump pediu a Zelenski para investigar Joe Biden, um dos principais pré-candidatos democratas da eleição presidencial de 2020, além de seu filho Hunter Biden, que foi membro do conselho da empresa de gás natural ucraniana Burisma, investigada por corrupção e lavagem de dinheiro.

O americano também pediu para que o ucraniano investigasse uma teoria conspiratória que afirma que a Ucrânia, e não a Rússia, tenha interferido nas eleições de 2016.

“Eu fiquei preocupado com a ligação”, disse Vindman na Comissão do impeachment. “Eu não pensei que fosse apropriado demandar que um governo estrangeiro investigasse um cidadão americano, e eu estava preocupado em relação às implicações para o governo americano em seu apoio à Ucrânia”.

“Eu percebi que se a Ucrânia comandasse uma investigação contra os Bidens e a Burisma, isso provavelmente seria interpretado como um ato partidário que indubitavelmente resultaria na Ucrânia perdendo o apoio bipartidário que manteve até agora. Tudo isso iria afetar a segurança nacional dos EUA”, afirmou.

Até o momento, o depoimento de Vindman é um dos mais comprometedores no inquérito do impeachment que ameaça a presidência de Trump enquanto ele busca a reeleição no ano que vem.

Também durante o depoimento, Vindman negou ser o denunciante anônimo (ou whistleblower) que desencadeou na abertura do processo de impeachment, e afirmou que nos dias anteriores ao telefonema entre Trump e Zelenski, ele já havia alertado advogados sobre suas preocupações em relação a pressões anteriores feitas pela admnistração americana contra a Ucrânia. / REUTERS

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.