AP Photo/Susan Walsh
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Conselheiro especial investiga Trump por obstrução de Justiça, diz 'Post' 

Fontes afirmaram ao jornal que Robert Mueller estaria ouvindo altos funcionários da Inteligência sobre a própria conduta do presidente

O Estado de S.Paulo

14 de junho de 2017 | 19h46
Atualizado 14 de junho de 2017 | 20h30

WASHINGTON - O conselheiro especial designado para investigar o papel da Rússia nas eleições de 2016 está entrevistando altos funcionários da inteligência dos EUA como parte de uma ampla investigação que agora inclui apurar se o presidente Donald Trump tentou, de alguma forma, obstruir a Justiça. A informação é do jornal The Washington Post, em reportagem publicada em seu site. 

A decisão de Robert Mueller de investigar a própria conduta de Trump marca uma grande reviravolta na investigação do FBI que está perto de completar um ano, e até recentemente estava focada em determinar uma possível interferência russa na campanha presidencial e se havia alguma coordenação entre a campanha de Trump e o Kremlin. Investigadores também estão procurando por qualquer evidência de possíveis crimes financeiros entre associados a Trump, afirmaram fontes ao Post.  

Trump afirma ter recebido garantias do ex-diretor do FBI James Comey, desde que tomou posse, de que ele não estava pessoalmente sob investigação. Funcionários do governo afirmaram ao Post que isso mudou logo após a demissão de Comey, por Trump, no início de maio. 

Cinco pessoas que receberam atualizações sobre as entrevistas de Mueller explicaram, em anonimato, ao jornal, que Daniel Coats, atual diretor nacional de Inteligência, Mike Rogers, chefe da Agência de Segurança Nacional (NSA) e o ex-assessor desse último Richard Ledgett concordaram em ser entrevistados pelo conselheiro especial sobre essa questão ainda esta  semana. 

A investigação tem sido mantida em segredo e não estava claro quantas pessoas já foram interrogadas pelo FBI. A NSA afirmou em um comunicado que vai “cooperar totalmente com o conselheiro especial” e não quis emitir mais comentários. O escritório de Ledgett preferiu não se pronunciar. 

A Casa Branca, segundo o Post, agora remete todas as questões sobre a investigação envolvendo a Rússia para o advogado pessoal de Trump, Mark Kasowitz. "O vazamento de informações do FBI com relação ao presidente é ultragente, imperdoável e ilegal", afirmou Mark Corallo, porta-voz de Kasowitz. 

As fontes afirmaram ao jornal que Coats, Rogers e Ledgett poderiam comparecer voluntariamente ao FBI, ainda que não tenha ficado claro se eles relatarão todas as suas conversas com Trump e outros funcionários do governo sobre o tema ou serão orientados pela Casa Branca a invocar privilégio executivo. 

Há dúvidas se a presidência americana pode, em último caso, usar o privilégio executivo para tentar bloquear esses funcionários de falar com os investigadores de Mueller. Especialistas, segundo o Post, lembram que a Suprema Corte esclareceu que durante o escândalo Watergate, os funcionários do governo não poderiam invocar esse privilégio para reter evidências em um processo criminal. 

A informação de que Mueller estaria buscando testemunhas sobre o caso de obstrução de Justiça do presidente surge no momento em que aliados ultraconservadores de Trump iniciaram uma campanha para minar a credibilidade de Mueller. Nos últimos dias, eles têm espalhado que o presidente planejava demiti-lo, informação desmentida pela Casa Branca. 

Em entrevistas a redes de TV, declarações em rádios e posts no Twitter, eles têm acusado Mueller de não ter imparcialidade para conduzir o caso, por ter incluído três advogados que fizeram doações ao Partido Democrata em sua equipe. / W. POST

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