Conselho da ONU condena violência contra manifestantes líbios

O Conselho de Segurança da ONU repreendeu na terça-feira o regime líbio pelo uso da força contra manifestantes pacíficos e pediu que os responsáveis por abusos sejam punidos.

PATRICK WORSNI, REUTERS

23 de fevereiro de 2011 | 09h01

Nota aprovada na terça-feira pelos 15 países do Conselho de Segurança manifestou grave preocupação com a situação na Líbia, onde centenas de civis foram mortos numa rebelião parcialmente inspirada pelos protestos que recentemente derrubaram governos nos vizinhos Egito e Tunísia.

O texto pede o fim imediato da violência e "passos para atender às legítimas exigências da população, inclusive por meio de um diálogo nacional".

A declaração de nove parágrafos foi aprovada horas depois de o ditador Muammar Gaddafi aparecer na TV, em tom desafiador, prometendo esmagar a revolta contra seu regime, no poder desde 1969. Os rebeldes já controlam partes do leste do país, e a revolta chegou a Trípoli, a capital.

O Conselho discutiu o assunto a pedido do embaixador-adjunto da Líbia, Ibrahim Dabbashi, que na segunda-feira anunciou ter rompido com o regime de Gaddafi, junto com a maior parte dos funcionários da missão diplomática.

Mas, num bizarro incidente diplomático, o embaixador titular, Abdurrahman Shalgham, que estava fora de Nova York na segunda-feira e permaneceu fiel a Gaddafi, apareceu no Conselho de Segurança no meio da manhã, quando as discussões já haviam começado.

Quem discursou ao conselho foi Shalgham, que reiterou seu apoio a Gaddafi, mas disse desejar o fim da violência e a adoção de reformas, segundo participantes da reunião a portas fechadas. Dabbashi não falou.

Falando a jornalistas depois da sessão, Dabbashi afirmou que a mensagem da ONU foi positiva, mas não suficiente. Disse também ter ouvido relatos de que, após o ameaçador discurso de Gaddafi, unidades militares leais ao ditador começaram a atacar civis no oeste da Líbia, uma situação que ele qualificou de "genocídio".

O discurso de Gaddafi foi deplorado também por Lynn Pascoe, chefe de questões políticas da ONU. "Quem quer que incite uns contra os outros na população (...), isso é algo perigoso", afirmou Pascoe a jornalistas.

A declaração de terça-feira foi a primeira reação do Conselho de Segurança à onda de protestos que varre o mundo árabe e que já derrubou governos na Tunísia e no Egito. Diplomatas disseram que a escala da violência na Líbia motivou essa atitude.

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