Conselho da ONU condena violência no Haiti e pede ajuda

O Conselho de Segurança dasNações Unidas condenou na terça-feira a onda de violência noHaiti, provocada pelo aumento dos preços dos alimentos, e pediuajuda emergencial ao país mais pobre das Américas. Cinco pessoas morreram em uma semana de manifestações,sendo quatro delas durante distúrbios na semana passada nalocalidade de Les Cayes. Os protestos continuam na terça-feira,virtualmente paralisando Porto Príncipe, a capital. "Os membros do Conselho de Segurança condenam fortemente aviolência que teve lugar em 4 de abril de 2008 e expressaramseu profundo lamento pela perda de vidas", disse nota divulgadaapós depoimento de Hedi Annabi, enviado da ONU para o Haiti. A nota também condenou o ataque às instalações da Minsutah(força de paz da ONU, comandada pelo Brasil) em Les Cayes e"salientou a importância de garantir a segurança do pessoal daONU". O texto também cita preocupação com a situação humanitáriae pede doações. Annabi disse a jornalistas que a ampla maioria doshaitianos está sendo seriamente afetada pelo aumento global nospreços dos alimentos, já que 80 por cento da população do paísvivem com menos de 2 dólares por dia. "Um esforço especial é necessário para fornecer alívioimediato, assistência, ajuda alimentar à população do Haiti,bem como apoio para a próxima temporada agrícola por meio daprovisão de fertilizantes e sementes", disse ele. Ao falar ao Conselho, Annabi disse que, embora osdistúrbios tenham sido provocados pelo preço dos alimentos,"eles também parecem ter uma dimensão política". "Por causa da violência que já ocorreu no passado, opúblico haitiano é particularmente sensível às ameaças deinstabilidade. Uma reação firme e visível é essencial --e sópode ser alcançada por meio de uma estreita colaboração entreas autoridades haitianas e a Minustah." Annabi e o Conselho se disseram, porém, animados com osprogressos do atual governo em estabilizar um país que tem umlongo histórico de conflitos. Mesmo assim, o enviado da ONU disse que tais progressospermanecem "extraordinariamente frágeis e sujeitos a umarepentina reversão".

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