Conselho da ONU diz que eleição justa no Zimbábue é impossível

O Conselho de Segurança daOrganização das Nações Unidas (ONU) declarou na segunda-feiraque não será possível realizar eleições livres e justas noZimbábue devido à violência e às restrições impostas aosopositores. O comunicado da entidade, que representou a primeira açãoformal do órgão em relação ao país africano, foi adotado porunanimidade. Isso significa que contou com o apoio da África doSul, da China e da Rússia, nações que antes haviam sidocontrárias a permitir que o CS se manifestasse sobre a crise noZimbábue. "O Conselho de Segurança lamenta que a campanha deviolência e de restrições à oposição tornaram impossível umaeleição livre e justa a ser realizada no dia 27 de junho", dizo texto. O representante do Zimbábue na ONU disse que a votaçãoacontecerá, apesar do comunicado da entidade. "Pelo que sabemosa eleição será realizada na sexta-feira", disse BonifaceChidyausiku aos repórteres. O texto do Conselho de Segurança, que não tem poder de lei,é menos drástico do que uma versão anterior, na qual o governodo presidente Robert Mugabe era responsabilizado diretamentepela crise e declarava o líder oposicionista Morgan Tsvangiraicomo o líder legítimo do país caso o segundo turno do pleitopresidencial não pudesse ser realizado. Na versão final do texto, o Conselho de Segurança "acreditaque o resultado das eleições de 29 de março de 2008" devem serrespeitados. Tsvangirai venceu o primeiro turno do pleito,apesar de o governo ter marcado o segundo turno porque ooposicionista não teria atingido a margem de votos necessáriapara vencer a disputa de uma vez por todas. O CS discutiu a crise do Zimbábue por várias vezes, mas nãohavia adotado nenhuma medida oficial desde que uma onda deviolência eclodiu no país, depois da derrota de Mugabe, nopleito do dia 29. E isso devido a objeções da África do Sul, que haviainsistido, com o apoio da Rússia e da China, sobre anecessidade de que fossem realizados esforços "diplomáticosdiscretos" junto ao governo de Mugabe. Horas antes, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon,conclamou o governo zimbabuano a adiar o segundo turno,afirmando que os resultados dele não teriam legitimidade. "Eu aconselharia as autoridades a não prosseguir com osegundo turno marcado para a sexta-feira", afirmou Ban arepórteres depois de almoçar com os membros do CS. "Issoservirá apenas para fazer aumentar as desavenças existentesdentro do país e para produzir um resultado que não terávalor."

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