Luc Gnago/Reuters
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Conselho da ONU endossa vitória da oposição na Costa do Marfim

Decisão aumenta pressão sobre presidente do país, que não reconheceu o resultado da eleição

TIM COCKS E PATRICK WORSNI, REUTERS

09 de dezembro de 2010 | 09h43

O Conselho de Segurança da ONU manifestou na quarta-feira à noite seu aval à vitória do oposicionista Alassane Ouattara na eleição presidencial da Costa do Marfim, aumentando a pressão internacional sobre o presidente Laurent Gbagbo, que não reconheceu o resultado.

As autoridades eleitorais anunciaram a vitória de Ouattara por uma margem de quase 10 pontos percentuais sobre Gbagbo, mas a Corte Constitucional, comandada por um aliado do presidente, anulou centenas de milhares de votos do oposicionista e declarou a vitória de Gbagbo.

Os Estados Unidos, a União Europeia e o bloco regional africano Ecowas, que suspendeu a Costa do Marfim, já haviam pressionado Gbagbo a entregar o poder no país, maior produtor mundial de cacau.

Em sua declaração, o Conselho de Segurança da ONU citou a posição da Ecowas e pediu a "todos os envolvidos que respeitem o resultado eleitoral". Sem mencionar diretamente Gbagbo, o texto condenou "nos termos mais fortes possíveis qualquer tentativa de subverter o desejo popular".

Os 15 países do Conselho também reiteraram sua ameaça de impor "medidas dirigidas" - leia-se sanções - contra quem tentar ameaçar o processo de paz ou obstruir as operações da ONU na Costa do Marfim, onde a crise eleitoral ameaça reabrir as divisões causadas pela guerra civil de 2002/03.

A declaração da ONU vinha sendo discutida desde sexta-feira, mas a Rússia achava que não seria correto que o Conselho de Segurança declarasse o vencedor do pleito. O texto afinal aprovado sugere que essa decisão partiu da Ecowas, e não da ONU.

Apesar da pressão, Gbagbo já deu posse a si próprio para um novo mandato, e nomeou um novo gabinete. Ouattara tomou posse numa cerimônia rival e disse que não vai abrir mão de ser presidente.

O representante da ONU na Costa do Marfim, Y.J. Choi, disse na quarta-feira que Gbagbo não tinha motivos para impugnar o resultado, e negou estar interferindo nos assuntos internos. "Estou apenas fazendo meu trabalho, conforme solicitado pelas autoridades marfinenses", disse.

Na quarta-feira, os títulos Eurobond do país, num valor de 2,3 bilhões de dólares, continuaram pagando mais de 12 por cento de dividendos, o que se explica em parte pelo temor de que as restrições da ONU a Gbagbo prejudiquem as negociações de um pacote de ajuda de 3 bilhões de dólares ao país.

Um assessor de Charles Koffi Diby, ex-ministro das Finanças que negociou o acordo e que foi muito elogiado por sua política econômica, disse à Reuters que aderiu a Ouattara.

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